terça-feira, 10 de julho de 2012

Pior que um dia ruim

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 Estava em casa, numa manhã clara de junho quando o telefone tocou.
Era Ed Carter.
-Oi Cliff.
 -Ed! Quanto tempo cara.
-É...Ei você ta sabendo algo sobre...
-Não.
-Bom, disseram ai. Se souber de algo me ligue.
-Certo.
Desliguei o telefone, dei uma coçada no saco e disquei novamente.
-@#& co. é Letter...
 -Oi cara, é Cliff.
 -Opa! Que manda?
 -O Carter acabou de me ligar e disse...
-É verdade cara.
-Puta merda!
-É.
-Bom, sabendo de mais me ligue.
-Claro Cliff, eu sinto muito.
Desliguei e ai o baque começou a pegar. Diabos. Era mesmo verdade. Sai pra rua e tentei não pensar no assunto pelo menos por umas duas horas. Fiz academia, passei em mercados e vivi um dia tentando fugir da realidade.
Tomei um banho rápido, coloquei uma camisa de botão, que achei que era conveniente para o momento. Entrei no ônibus e as memórias vieram-me a cabeça como filme antigo e fácil de se gostar e sorrir.
 Cheguei ao centro encontrei Clyde sentado junto ao carro.
 -Cliff.
-Uma merda mesmo cara...uma puta de uma merda...
-Inacreditável.
-Vou precisar beber algo pra encarar.
-Eu também cara...Eu também.
Entramos no carro e rodamos por algumas quadras e as coisas começaram a piorar. Um sentimento horrível crescia dentro do peito. Inevitável e doloroso. Jermaine juntou-se a nós nessa caminhada rumo ao desfiladeiro de emoções que se anunciava à nossa frente.
Paramos numa alameda qualquer estacionando o carro numa vaga irregular mas que ninguém dava a minima pra isso numa hora daquelas.
Olhei muitos rostos ali e senti uma puta de uma ânsia de vomito.
 Cambada de filhos das putas!! Aproveitadores baratos, gentalha da pior espécie existente na crosta terrestre.
 Dei de ombros e encontrei Abby. Um semblante pálido e categórico da ocasião. Não tinha muito pra falar, então apenas um abraço disse tudo o que era possível sentir.
A pior coisa da morte é o fato dela estar lá presente e inerte a tudo e a todos. Não se pode pega-la e conversar com ela, ou leva-la a um bar para jogar cartas ou ver um strip.Não, simplesmente ela esta lá e NADA a pode confrontar.
Caminhei lento e sozinho e então olhei.
Até o momento era quase que inacreditável tudo aquilo mas agora...Era tangível e verosimílimo demais tudo aquilo.
Bee Bee estava ali deitado com seu mesmo sorriso de sempre. Mas não haveriam mais seus peidos, sua cara vermelha igual rola esfolada em momentos constrangedores em que eu usava de minha total falta de apreço social para deixar mais calmo. Era enlouquecedor e doloroso e forte.
 Apenas toquei-lhe os dedos como que me certificando do já certo.
Disse-lhe baixo junto ao ouvido gélido pra me esperar que em breve nops encontraríamos.
 Sai andando em direção ao primeiro bar que encontrei e pedi um scotch duplo.
Entornei em uma talagada e depois pedi outro e depois mais um pra tentar destilar aquilo.
Só restava chorar e esperar que o álcool ingerido pudesse dissipar a dor.
 Então, de mente mais clara e conformada, sentei-me à maquina e escrevi essas linhas como que em homenagem a esse cara e espero que ele leia de alguma forma e me escute e saiba que ninguém quer julga-lo ou condenar ou falar nada.
Apenas sentir uma puta de uma saudade e saber que as vezes os fins não bem diferentes do que nós imaginávamos

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Um comentário:

  1. Parabens! Bela descrição da sua dor! Glovaski

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Brothers and sisters. it's time to talk!!!