terça-feira, 26 de novembro de 2013

SOL NASCENTE

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(Satélite parte II)


-Será que ELE está assistindo?
-Acho que sim. ELE disse que ia ficar de olho.
-Nossa. ELE deve estar mau.
-Eu avisei pra ELE que isso era bem possível de acontecer. Eles não sabem lidar com essas coisas.
-Você carregou demais Venny. Colocou tudo numa dose muito alta.
-Não! Eu fiz como ELE me pediu Shaun.
ELE abriu a porta e chamou-as.
-Venny e Shaun. Parem de bisbilhotar e fuxicar como loucas e venham aqui comigo.
-Sim chefe.
Venny olhou pra ELE. ELE estava com um semblante meio caído. Tipo um garoto quando ganha um brinquedo diferente e inferior ao que tinha pedido de presente.
-Veja Venny. Eu acho que fiz tudo certo. Sabia que a chance disso acontecer era grande, mas eu realmente apostei.
-Não fica assim chefe. Você sabe como é.
-Sei. O mais engraçado disso tudo é que EU sei como é.
-Mas e agora chefe? Como é que fica.
-Escuta Shaun... Bem, quando eu criei esta parte eu sabia o que estava fazendo. Pedi pra você Venny dar tudo em doses muito altas e você fez um trabalho maravilhoso tão bom quanto você mesma e até mesmo você concordou.
-Vocês me avisaram sobre esses riscos é bem verdade e eu sabia deles. Mas quando eu crio uma estrela, EU crio uma estrela e pronto. Ela tem que brilhar e vai brilhar ainda durante muito tempo. Está muito longe de sua luz se extinguir e mesmo quando extinguir o facho de luz que fica ainda dura muito tempo.
-E quanto ao resto?
-Bom o resto é o resto embora aquele sacana me surpreendeu. Ele manteve a dignidade e até certa polidez... Não digo que eu o quero aqui no final das contas, mas ele ganhou um pouco mais do meu respeito. Sabe, ele encontrou algumas coisas que ele não sabia que tinha. É claro que ele é como é e o que eu gosto nele é que ele não reclama e nem esconde. E isso o fez ser duro como uma rocha. Agora eu não sei como ele vai fazer, sem a sua carapaça, sem seu casco de tartaruga que o envolve.
-Venny, pegue aquela fita pra mim.
Venny pegou e deu nas mãos DELE.
-Poxa chefe, isso é sacanagem.
-Eu gosto de brincar Venny, você sabe disso.
Lá embaixo uma pequena figura bebia seu vinho de uma forma que conhecia bem, mas que dessa vez tinha um gosto diferente de todas as outras vezes.
-Porra! Sacanagem!
A figura olhou pro céu e sabia que isso era uma típica piada de mau gosto, mas não lamentou.
Então a figura envelhecida e bruta resolveu se pronunciar.
-Bem cara, eu sei que você esta ai em cima rindo um bocado e acho que você tem direito. Mas sabe meu chapa... Dessa vez você realmente me acertou forte, e ainda deu risada... Tudo bem, eu mereço... Mas escute aqui, eu não vou me entregar assim tão fácil. Não sei se quem me fez foi você ou o outro e pra mim pouco importa agora, mas eu te garanto uma coisa meu velho. Eu cumpro o que prometo, nisso eu sou bem, e me dê um tempinho, só te peço um tempinho pra me levantar, não encerre a contagem agora, me dê mais um fôlego e ai você verá o que é um cachorro velho e mordido brigando pra valer.
Lá em cima ELE ria. Aquela figurinha era mesmo uma casca grossa.
-Você acha que ele esta falando sério chefe?
-Sinceramente sim.
-Uau! Esse vagabundo tem Culhões mesmo hein?
-Tem, isso ele tem.
Então, ELE e as duas viram as explosões de cor e luz brilhando na noite, confusas, terríveis e catárticas.
Mas cientes que os tons se encaixariam em harmonia simétrica novamente.

Por que por mais escura que a noite seja
No outro dia o Sol vai nascer.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

SATÉLITE

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ELE calçou os chinelos, pegou os materiais e vestiu uma camisa da seleção de 82, a numero 8 do doutor e foi pra praia.
Colocou-se diante do mar, contemplou-o e depois começou a trabalhar na tela com esmero. Estava inspirado, muito inspirado, mas queria atingir a perfeição.
A noite caiu e sob as estrelas ELE continuou trabalhando duro. Acerta daqui, mexe dali, apaga isso, coloca aquilo, não, não, não, agora sim!
Ligou o radio e sintonizou na parada da bilboard. Gostava daquela música, ainda seria um sucesso daqui a 30 anos.
Então se levantou e olhou o que tinha criado. Ficou feliz, tinha conseguido fazer sua parte, tinha alcançado seu objetivo, fizera com esmero, com paciência, com suor.
Assinou a tela com sangue pra que tivesse ainda mais dele mesmo naquilo e então, com a fogueira acessa dançou afundando seus pés na areia.
Na outra manhã despertou eufórico e chegou ao trabalho sorridente.
-Bom dia chefe!
-Bom dia rapazes!
-Nossa como ELE está contente!
-É mesmo! ELE quase sempre tá de boa, mas hoje ele está com uma cara daquelas.
Entrou em sua sala, tirou o pano que cobria a tela, examinou-a mais uma vez e então foi ao corredor.
-Chamem a Venny e Shaun, por favor.
-Sim chefe.
Elas entraram na sala. Venny era linda, uma verdadeira Deusa, e Shaun era esperta e tinha mesmo uma boa bossa.
-Bom dia chefe. O que manda?
-Chamei vocês duas aqui por que preciso de uma ajuda. Deem uma olhada e me digam o que acham.
-Uau chefe! O senhor caprichou mesmo hein?  Tá quase melhor que eu mesma?
-Obrigado Venny! Eu acho que tá igual, pra não dizer melhor.
-Sensacional Chefe, sensacional, mas o que o senhor vai fazer com isso?
-Vou chamar os meninos e mandar entregar.
-Chefe, me desculpe, mas o senhor tá maluco? Você sabe melhor que ninguém a dor de cabeça que isso causaria.
-Talvez agora seja diferente.
-Nunca é diferente. Eles não sabem lidar com essas coisas.
-Por isso você tá aqui Shaun. Você tem esperteza suficiente pra deixar esse projeto funcionando sem que se torne um caos. Juntei umas coisas do Herman e do Aby também, talvez isso facilite.
-Chefe, eu sei mexer com projetos, mas nada desse tamanho. Isso é incrível. Olha a cara da Venny, ela mesma se rendeu e ela nunca se rende.
-Eu sei, eu sei. Caprichei mesmo, queria que fosse assim. Agora Venny, arte-finalize pra mim, preciso do teu toque nisso, preciso da tua benção.
-Com tudo chefe?
-Tudo. E quero em doses altas, o fogo, a calma e o brilho.
-Tudo bem... Chefe, você sabe que quando faz dessas coisas eu me irrito um pouco. Mas dessa vez, nossa, tá tão perfeito que eu fico feliz e temerosa ao mesmo tempo. Tem o melhor de você ai, você ASSINOU COM SANGUE!
Então os 3 trabalharam até que ficasse perfeito. Colocaram tudo no lugar e se deram por satisfeitos.
As duas saíram da sala e ELE chamou novamente.
- Chamem o Brooke e o Cassidy.
Os dois estavam sentados vendo tv quando os chamaram.
-Levanta o rabo dai Cass! Tem trampo hoje.
-Opa! Deixe eu me vestir. Fazia tempo que eu não fazia nada.
-É o lado ruim desse trampo é isso. Você só trabalha de vez em quando.
-Mas isso que é o bom Brooke. O chefe quando manda só manda coisa boa e confia na gente pra levar.
-Isso é bem verdade.
Entraram na sala e receberam as instruções.
Era começo de outono e o tempo estava bom. Pegaram a entrega e ainda comentaram.
-Porra chefe! Detonou hein?
-Obrigado filho.
Então desceram e fizeram a entrega. Essa era a parte boa do trabalho.
E ainda receberam uma folga pra assistir aos jogos no outro lado.
E viram o espirito humano ser levado ao extremo.
Seres admiráveis mesmo esses homens.
Embora aquela águia estupida fosse um insulto aos olhos.
Lá em cima ELE observa a sua criação.
Sabia quanta loucura aquilo provocaria, passaria e sentiria.
Mas sabia também, e por isso se alegrava, em ver o quanto aquele satélite móvel iluminava o mundo.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Bartterfly

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Clive estava bebendo uma noite dessas, uma noite dessas bestas de verão.
Clive não gostava muito do calor. Ele era grande e pesado e sentia-se cansado com tudo aquilo.
As pessoas todas insanas, talvez pelo calor, os tempos modernos, o desespero de ser “curtido” de ser legal, de serem aceitos.
Ele estava sentado lá no fundo do bar quando ELA entrou.
Às vezes, só às vezes, os almoxarifes do céu descem á terra e agraciam alguém com toda a graça que é possível conceber a uma mortal.
ELA era uma dessas agraciadas.
O bar estava cheio, risadas, vozes, gritos, mas o silêncio DELA cortava o ar e era mais emblemático que tudo o que estava ao seu redor.
Sentou-se solitária à mesa, num canto.
Da sacola que trazia via-se a capa de um exemplar raro de “A garota mais linda da galáxia” um livro de poemas que Clive achava muito bom. Não eram grandes poemas é bem verdade, mas continham uma verdade tão intensa que era impossível não gostar deles. Eram poemas de um homem desesperado, arriscando tudo na escrita.
Clive gostava de gente que escrevia assim.
ELA levantou-se para ir ao balcão pegar uma bebida.
O cabelo corria grande e negro pelas costas. O corpo era bonito, não era extravagante, mas simétrico e sensual, uma bundinha pequena e muito bem desenhada..
ELA era forma e conteúdo.
Giant e Hooper numa só tela.
ELA foi até a Jukebox e colocou uma ficha.
O disco caiu no prato e começou a tocar.
Dançou quase que imóvel, mas cada movimento era um flash de luz, um relâmpago no escuro.
Quase todos no bar de uma forma ou de outra a olhavam.
Desejavam ardentemente sua carne.
Clive também, mas tinha algo a mais e era isso que o atraia.
Era carne e alma, fogo e razão, duvida e certeza.
Havia um mistério, uma magia e muita loucura naquele fogo.
Ao virar-se os olhos dela cruzaram os de Clive.
ELA olhou BEM dentro dos olhos dele.
Os olhos DELA grandes e brilhantes penetraram as fendas pelas quais Clive via o mundo.
ELA viu dentro deles.
Viu tudo. Loucura, medo, frustrações, alguma sabedoria, tristeza, mas principalmente loucura e medo.
Então ELA sorriu e saiu pela porta.
A noite se enfeitou de joias enquanto ela partia deixando para trás um degrade em rosa, branco e azul bebê.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Colcha de Retalhos

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Venha sob a lua azul me levar
Olá falcão! Venha me pegar.
Pois ninguém me corta em silêncio como você me corta 
E eu sei que é destino correndo contra mim
E irei rastejar não que isso importe
mas ninguém sangra do jeito que eu sangro.
Então, olá falcão! 
Quando vi a sua sombra, soube que era você derrubando o anoitecer.
E em seus lábios, um mundo mágico um mundo folheado em ouro.
Olá falcão! Venha me pegar.
Acenando no vento suas penas
Pra me pegar, me roubar, me matar
E ainda assim, engatinharei até você como todos os outros.
Contra minha vontade
Mas me entrego a ela pro que der e vier.
E nessa hora mortal.
Nem o vento, nem a chuva, nem uma conversa
Trar-me-ão de volta vivo.
Mas ainda assim, me entrego a esse destino
Pro que der e vier.

"E de pedaços de velhas canções
Te entrego palavras
Sensações
E um sonho sonhado numa noite fria."



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cenas de um Amor Mequetrefe.

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Blake subiu as escadas, abriu a porta entrou em casa e sentou-se no sofá.
Percebeu uma bagana da noite anterior ali, como que o chamando pra mais um volta.
Acendeu-a e começou a ouvir os gritos vindo andar de baixo.
-Sasha! SASHA! Pelo amor de deus mulher, abre essa porta!
-Some daqui Al! Eu não aguento mais!
-Por favor, mulher! Por Deus mulher! Abre essa porta.
A vizinhança começou a se projetar, era por volta do meio- dia fazia um frio danado e a temporada 2013 de futebol estava chegando ao fim.
-PARA COM ESSA GRITARIA SEU VIADO!
-CORNO FILHO DA PUTA!
-EU ESTOU VENDO TV! SERÁ QUE NINGUÉM MAIS PODE VIVER EM PAZ?
A tv sempre a tv.A mais importante companheira das donas de casa do mundo inteiro, trazendo sempre seus romances arrebatadores entre homens lindos e mulheres fantásticas.
Blake olhou pela janela, enquanto soltava a fumaça pelas narinas.
Simpatizava com o garoto, o lembrava quando mais jovem, apenas mais magro.
Ela era um problema realmente. Tinha olhos furiosos, mas um corpo que era o próprio demônio na face da terra. Um enlouquecedor par de coxas e seios vulcânicos que pareciam sempre querer arrebentar o tecido da blusa.
Pobre garoto. Ele devia saber que mulheres assim eram tudo o que um homem precisava para ir pro inferno. Devia saber que ela o destruiria e que agora, por mais que ele gritasse e uivasse como um cão raivoso, era à toa.
Ela provavelmente destruiria outro cara qualquer no futuro e deve ter destruído mais alguns no passado, e Blake ficou feliz por não ser um desses.
De repente foi a velha cena clichê.
As roupas voando pela janela.
Cuecas, camisas de time. Olha! Não sabia que ele torcia pro alvinegro praiano, e voavam as toalhas, as meias e por ai vai.
Não era uma cena bonita, não mesmo.
Chegava a ser vergonhoso tudo aquilo, mas naquele momento Blake sentiu uma tremenda pena do rapaz e de todos os corações partidos pela terra.
Todo mundo uma vez na vida que fosse teria o coração partido e nesse jogo louco de machucar e se ferir teciam-se as histórias de amor da vida.
Blake nunca foi de cenas, mas as pessoas tinham direito a seus momentos.
Blake acabou de fumar, foi pro quarto, deitou-se nu e olhou o teto.
Já machucara e se machucara uma centena de vezes na vida e gostaria de não ter alma alguma pra sentir.
Tomara que a do garoto fosse estúpida ou forte o suficiente pra esquecer ou seguir em frente.
Tomara.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

MILITANDO EM MILILITROS

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Entrei no carro, liguei o rádio e comecei a andar. É claro que de uma forma ou de outra achava que aquilo não fazia o menor sentido, mas Ora bolas! Que vá tudo à merda!
O dia estava claro e com uma temperatura amena e sentia que o Sol me alimentava a alma naquele momento.
Cheguei ao local marcado, estacionei o carro, desci a rua e entrei no saguão do prédio.
Eles estavam a minha espera, Carl, Geena, e Perks, quem eu não via a muito tempo.
-Oi, Geena!
-Fala Cliff! Você vai ao banco antes?
-Sim, depois que tal biritarmos um pouco?
-Cliff seu pinguço! A reunião é lá em cima. Temos que ir pra lá.
-Não sei. Pra mim o melhor a fazer é ficar tomando umas e esperar o resultado como quem espera a morte.
-Vá ao banco depois a gente vê isso.
Fui ao banco, paguei contas, parcelei contas e vi a cara da morte no meu extrato bancário.
De um lado a pressão arterial, o estômago com problemas, a miopia aumentando e o joelho que nunca ficava bom, de outro as dívidas e a eterna falta de grana atacando todos os meus flancos como uma falange espartana.
Entramos no prédio, subimos pelo elevador por 10 longos andares, enquanto observava no espelho minha velha pança lotada de cerveja e vida desenfreada.
Chegamos ao local e fomos recebidos por um cara com cara de vassoura que não nos deixou participar da tal reunião.
Quando a porta se abriu, pude ver de relance QUEM estava lá dentro e comecei a sentir um tremendo cheiro de merda predizendo o que sairia de lá.
Ficamos aguardando o elevador e eu olhava pela janela. Devíamos estar a uns 80 metros de altura.
A cidade e as pessoas assim, em miniatura até pareciam boas.
Descemos e ao sair, sem ter conseguido entrar na reunião, convenci o pessoal a ir até o bar mais próximo pra beber um pouco.
Eu era mesmo má influência, despertava más tendências.
Fomos até um bar onde se podia fumar enquanto bebia coisa rara atualmente e lá acabamos encontrando um monte de gente que estava ligada naquela onda.
Nunca tive uma posição favorável às massas, ainda mais em bares, mas nunca fui esnobe, então juntamo-nos ao resto do bando de gente que estava esperançosa quanto à tudo aquilo.
Uma parte do pessoal estava enlouquecido, bolando planos extremamente absurdos, outra parte estava furiosa, querendo explodir bombas e mais um monte de coisas.
Eu sinceramente estava indiferente.
Fiquei bebendo meu “sour “como um louco, como sempre bebi. Bebendo e bebendo sob o Sol.
Militando apenas com meus mililitros etílicos que me deixavam felizes o suficiente porá encarar os problemas.
Não estava dando à mínima nem pros loucos, nem pros enfurecidos.
Vez por outra soltava uma frase qualquer pra participar da conversa, mas sinceramente não me importava. Sabia que os sonhos não se concretizavam assim tão facilmente sem uma estratégia bem formada e que só vontade sem razão não levava ninguém a lugar nenhum.
Por fim, Big Bull Clint chegou trazendo os resultados.
É claro que não tinha dado nada certo.
É claro que os enfurecidos estavam ainda mais putos e os enlouquecidos ainda mais furiosos.
E é claro que eu segui bebendo o quanto pude até ser enforcado pelo trabalho, pelas contas e por tudo que nos cerca mais uma vez


.

CRIAÇÃO

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Quando Deus criou o amor, ele estava em dúvida
Quando Deus criou a bebedeira, ele precisava, queria e merecia um trago.
Quando Deus criou VOCÊ, ele contemplava o infinito mar de diamante.

Quando Deus Criou as pulgas, ele estava com raiva de alguém
Quando Deus criou a arma, ele estava deprimido
Quando Deus criou VOCÊ, ele estava olhando as estrelas

Quando Deus criou a música, ele sabia que isso iria salvar alguns
Quando Deus criou a mim, ele lamentou até o fim
Quando Deus criou VOCÊ, ele dançou sob o fogo

E da duvida veio a brecha que dava vaga pra bebedeira , pra felicidade que traz lágrimas e sensações conflitivas e que é boa mesmo assim
E da raiva veio o medo, a angustia, a fé insana mesmo sabendo que de algum modo  tudo chega ao fim
E da loucura veio o dane-se pra tudo e o seguir em frente andando mesmo que seja a esmo.

Mas no mar de diamantes dançando sob o fogo ele criou VOCÊ e derramou sobre o universo a melhor porção Dele mesmo



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

RETRATO

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Ele entrou em casa, descalçou as botas, tirou as chaves do bolso, pendurou-as no chaveiro e foi à cozinha.

ESTAVA TUDO COMO DE COSTUME.

Um caos quase que obsceno, assassino, surreal.
Randall então foi até a pia e salvou um copo naufrago em meio ao tsunami de louça que se projetava a sua frente, lavou-o e serviu-se de uma dose de whiskey.
Viu de relance sua imagem refletida no copo.
Brutal e dilacerada pelo tempo, pela loucura, por todos os problemas que, de certa forma ele mesmo causara a si.
Não tinha quem culpar a não ser ele mesmo.
A vida é feita de escolhas e ele fizera algumas erradas.
Bem erradas.
Ele sabia que estava encrencado, destruído e com uma porcentagem bem pequena de chance de virada e estava longe de estar morto o que, naquele instante, sob a luz empoeirada da lâmpada da cozinha não pareceu ser lá muito vantajoso.
Então, acendeu um cigarro e ao soprar a fumaça percebeu o retrato na sala.
Gostaria de ser um escritor pra descrever a sensação em palavras.
Sempre admirou os escritores. Eram capazes de definir as sensações de uma forma diferente do usual, com magia e beleza.
Gostaria de dizer algo como “O tempo, a felicidade e de certa forma a vida, presa num distante instante e uma esperança ignóbil de que tudo volte a ser como era Uma pessoa tem direito a sonhos, mas quando eles são loucos demais é melhor acordar", gostaria de tocar uma música que mostrasse em acordes o que ele sentia, mas ele não sabia fazer nada disso.
Ouviu o som da tv e sentiu inveja daquela calmaria, daquela alienação feliz e insana, daquela insensatez festiva e mórbida.
Sabia que não poderia voltar pra dentro daquele momento.
Sabia que ele jazia morto num lugar distante do passado e NADA o traria de volta e que cada tentativa, soava ainda mais desastrosa e fútil.
Voltou pra cozinha, serviu-se de mais uma dose, imergindo na fumaça do cigarro enquanto o retrato guardava seu sonho, louco demais e incapaz de ser acordado.





sexta-feira, 25 de outubro de 2013

POESIAS ESCRITAS EM SEMAFOROS FECHADOS

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No carro, no trânsito homicida e brutal
No meio do centro, entre os prédios cinzas e paredes de cobalto
Na fumaça do cigarro que baila misteriosa
Emergindo flamejante em seu costume marcial

 EU VEJO VOCÊ


No sorriso embalado pela bebida que destila as mazelas
Nas mãos dos pintores eternizadas em suas telas
Nas canções gritadas parcas de técnica e cheias de emoção
Em filas de supermercado, eu, velho, abjeto e sem nenhuma razão

 EU OUÇO VOCÊ

Sem querer te guardar
Sem querer te prender
Sem conseguir te definir
Sensível demais pra tentar entender

EU SINTO VOCÊ

E é o que me basta pra seguir
E é o que faz esse rabugento sorrir
E é o que me faz querer queimar em seu fogo

Pra que ele me consuma, me mate e me enlouqueça
Pra que ele dure até se extinguir, não importe o que aconteça.







terça-feira, 15 de outubro de 2013

MEU PÁSSARO CINZA

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Meu Pássaro  é cinza

Soltei meu pássaro cinza
Pra voar pela sala
Numa manhã de sábado.
Em frentes aos guris
Que riram com ele
Que se assustaram com sua pequenez
E ele ficou feliz por ver essa gente
Pela primeira vez.

Depois tranquei-o de novo
Aqui no meu peito
E lá naquela jaula azul
A menina bonita não pode lhe ver
Nem o homem áspero pode lhe conhecer
Talvez o cara legal que escreve tão bem
Mas nunca o panaca com cara de cavalo
Aquele ao qual não quero bem.

Alguns já o viram por ai
Mas são bons o suficiente para manterem-se calados
Sabem que não vou deixa-lo morrer
Mas sabem que ele não deve voar por ai
Assim pra qualquer lado

E ele precisa ficar ali fechado
Por que ele preso me faz ser quem sou
E quando ele sai
Bem, diabos eu choro
Contrariando seu criador
Que por ele jamais chorou.
Baseado no poema “Bluebird” de Charles Bukowski.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Previsão de chuva para o domingo que vem.

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 (Quando os celulares tocam)


Blake estava trabalhando naquela noite de sábado no Dead End’s bar e não era algo que se podia ter orgulho. Tudo bem, era melhor que a merda rançosa do trabalho público e ajudava a pagar as contas. De certo modo era engraçado. Toda a fauna de pseudo-estrelas e falidos pomposos da cidade provinciana acabavam aparecendo por lá e Blake ria com isso e o ajudava a se manter são.

Naquela noite de sábado ele estava em parceria de Carl Anderson.

Carl era um bom amigo. Um dos poucos que Blake cultivara nos anos de trabalho. Garoto jovem e esperto, leitor de Kafka e Faulkner, escrevia ótimas poesias.

-Blake, isso aqui é mesmo bizarro.Bem que você havia me dito.

-Te Falei Carl, é engraçado pacas. Esses figuras e seus deslumbres e suas estórias fodidas embaladas em papel brilhante pra disfarçar.

-Só.

A noite ia se arrastando feito merda quando chegaram Becky e seu marido.

 Becky fora uma ex-namorada de Blake, viviam aos berros e xingamentos e agora ela era casada com um músico cafona e decadente.

 Blake agora estava casado com Betty e tinha com ela três filhos, um cachorro e uma hipoteca. Viviam também aos berros e xingamentos, mas era o jeito de Blake.

 Becky passou por Blake, lhe deu um sorriso amarelo e estúpido. Encantado e alegre como sempre fora.

Carl saiu de banda pra fumar um cigarro. Sentiu o telefone vibrar em suas calças e atendeu.

 -Oi Baby. Como estão as coisas por ai?

-Tranquilas Shanon.É um troco fácil de ganhar.

-Pensou sobre o assunto Carl?

 -Pensei e...Bem, a coisa ainda é mesma Shanon.

- VOCÊ SABE QUE EU NÃO VOU VOLTAR ATRÁS.

 -E eu também não vou mudar de ideia então, temos um impasse.

-Pense melhor Carl.

-Você também Shan.

Ela desligou com aspereza e Carl seguiu fumando seu cigarro sabendo que não seria fácil mudar as coisas.

Là dentro do Bar, Becky sentou-se ao lado de Blake junto com um cara gordo e extremamente chato que a idolatrava com um carola devoto. Era confortável à Becky ter alguém assim e começaram a falar.

Falar.

 Falar.

Falar.

Falando interminavelmente sobre assuntos intermináveis.

De repente Becky virou-se pra Blake.

-Você não é mais o mesmo. Não gosta de pessoas, não gosta de ninguém e você..blá, blá, blá...

Se Blake fosse uma pedra ela falaria.

Se ela fosse uma esfinge, ainda assim ela falaria.

 Blake levantou, deu de ombros e foi pra rua fumar um cigarro.

 A noite era nebulosa e sinistra.

O telefone tocou no bolso esquerdo da calça de Blake.

-ELA TA AI NÉ?

-Betty, por favor... Não me venha com essa merda agora.

 -EU SEI QUE ELA TA AI BLAKE!! VOCÊ TA FELIZ AGORA??!!

 -Porra mulher! Eu venho aqui e esfolo meu rabo fodido por horas e você agora me vem com essa?

-VOCÊ SABE O QUE VOCÊ FEZ BLAKE! VOCÊ SABE O QUE FEZ! VOCÊ GOSTARIA QUE EU TIVESSE FEITO O MESMO?

 -Diabo mulher! Não sei... faça e ai eu descubro.

 Betty bateu o telefone e Blake voltou pra dentro do bar e seguiu trabalhando por mais uma hora e meia até pegar a grana e entrar no carro.

 -É Blake meu velho. A Shanon ta pegando no meu pé pra caramba por causa daquele lance.

-Nem me fala cara. A Betty ligou agora pouco, berrando e xingando...Elas NUNCA superam.

 -É.

Seguiram bebendo uma bud cada um até chegar em cofeville.

Carl desceu do carro, pegou as coisas no porta- malas.

-Valeu Blake, vou tentar dormir um pouco. Pelo visto hoje vai ser um dia daqueles.

 -Vou nessa também garoto. Encontrar meu infortúnio de hora marcada. Um verdadeiro voluntario à Aschwitz.

Carl subiu as escadas e deitou-se sabendo que as coisas voltariam à tona assim que acordasse.

Blake seguiu dirigindo e bebendo, sabendo que embora a primavera estivesse começando em todo o país, e o Sol começava a irradiar um dia de piscina, mas para ele, o domingo chegaria com uma chuva daquelas.




sábado, 15 de junho de 2013

Camisa 8 Canarinho






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E quando a viu pela primeira vez, sentiu-se assim deslumbrado. Como aquele que vê o incrível frente aos seus olhos nus
Era ela como TUDO que ele sempre sonhara pra si.
Dona de  TUDO que ele sempre  pensou ser impossível conceber em uma só pessoa.
E imaginou-a rodopiando em seus braços, leve como a noite, sinuoso tal qual a fumaça que baila desafiadora e calada, na parceria da escrita.
Sonhou uma canção para ouvir com ela.
Alguém pra não mudar.
Alguém a quem não explicar
Seu jeito.
E quando a fitou com seus grandes olhos cansados, foi como ver as belas fotografias de Pi.
E ouviu sua boca sempre falante se calar.
E sentiu, a cerveja que sempre umedecera seus lábios se secar.
Percebeu-se pequeno diante dela, como quem mira o universo. Como um tigre a olhar o Oceano.
Profundo
Mágico
Infinito.          
E quando ouviu sua risada, constrita, ouviu os acordes de suas favoritas canções ritmarem com o rufar de seu coração, no ritmo acelerado das músicas gritadas que embalavam seus dias.
E também os dela.
Sentou-se à maquia e fez das letras seus pincéis e das palavras tintas que a eternizaram em aquarelas de luz.
Mas seu talento Goethico cunhado no atraso e na perda fez-se presente.
E como um voyeur no limiar do espaço lembrou-se menino a olhar a camisa 8 canarinho.
Que sonhou vestir e viu se transformar
Como a imagem dela                          
Oh! Deus! Como era bela.
Num retrato na alma para guardar.





terça-feira, 21 de agosto de 2012

TOMAHAWK

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  Fúrias eclesiásticas, surtos de psicose programados pra lucrar e terminando em palhaçada débil e triste. Gente boa indo embora pra NUNCA mais voltar de verdade e gosto de vinagre entrando pelas narinas no meio da noite. 
 Cobertor umedecido por acidente e renite crônica atacando o sistema respiratório, vitima do ar seco, das almas, secas do povo seco, dos comentários secos, das conversas pálidas, da cerveja morna e da fecal enxurrada de sandices as quais minha pobre e já dilacerada alma é obrigada a suportar por míseros níqueis, suficientes apenas para uma sobrevivência inglória e puída. 
 Penso nisso enquanto escuto lemonheads e leio Fante dentro de uma grande e gélida lata sacolejante, sentindo o frio a me carcomer os ossos naquela manhã. 
“Em que porra de lugar que me meti?” “Como deixei ficar assim?” “Por que ter de passar por isso Meu DEUS TODO PODEROSO?” 
Sou sacudido de meus pensamentos confusos e conturbados por um rabo saltitante que sacode miraculosamente belo em meio a embrulhos de lojas de departamento.
 SIM! Existe um céu em algum lugar e talvez possa ser tocado. 
Então desço as escadas, fumo mais um cigarro, o zilhonésimo terceiro da minha vida e vejo o Sol gelado ferir minhas pupilas habituadas demais aos ritos noturnos e me emergem as figuras pueris e angelicais e graciosas das dádivas que plantei e respiro aliviado o carbono dos caminhões, sorvendo das paredes de cobalto da cidade a essência que me fortalece pra lutar contra os que depositam nos animais toda a mentira que os rege em relação aos humanos. 
 Em frente à caixa mágica que transporta e emana idéias, sou atacado por vermes minúsculos, mas um bocado insistentes que com apenas um leve espanadar de dedos conjuro ao inferno. 
Salto como um anti-herói insano na penumbra focando apenas o que me é necessário pra escapar senão ileso, ao menos vivo disso tudo e encontro em lembranças o que é preciso. 
Então me sento, lembro de um bom escritor de poesias, talvez o melhor que eu conheça e bebericando de seu estilo como quem degusta um excelente carbonel, deixo as frases correrem soltas como lobos uivantes por estas linhas elétricas de papel.

Dedicated and sampled to “The soturn golden axe”


terça-feira, 10 de julho de 2012

Pior que um dia ruim

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 Estava em casa, numa manhã clara de junho quando o telefone tocou.
Era Ed Carter.
-Oi Cliff.
 -Ed! Quanto tempo cara.
-É...Ei você ta sabendo algo sobre...
-Não.
-Bom, disseram ai. Se souber de algo me ligue.
-Certo.
Desliguei o telefone, dei uma coçada no saco e disquei novamente.
-@#& co. é Letter...
 -Oi cara, é Cliff.
 -Opa! Que manda?
 -O Carter acabou de me ligar e disse...
-É verdade cara.
-Puta merda!
-É.
-Bom, sabendo de mais me ligue.
-Claro Cliff, eu sinto muito.
Desliguei e ai o baque começou a pegar. Diabos. Era mesmo verdade. Sai pra rua e tentei não pensar no assunto pelo menos por umas duas horas. Fiz academia, passei em mercados e vivi um dia tentando fugir da realidade.
Tomei um banho rápido, coloquei uma camisa de botão, que achei que era conveniente para o momento. Entrei no ônibus e as memórias vieram-me a cabeça como filme antigo e fácil de se gostar e sorrir.
 Cheguei ao centro encontrei Clyde sentado junto ao carro.
 -Cliff.
-Uma merda mesmo cara...uma puta de uma merda...
-Inacreditável.
-Vou precisar beber algo pra encarar.
-Eu também cara...Eu também.
Entramos no carro e rodamos por algumas quadras e as coisas começaram a piorar. Um sentimento horrível crescia dentro do peito. Inevitável e doloroso. Jermaine juntou-se a nós nessa caminhada rumo ao desfiladeiro de emoções que se anunciava à nossa frente.
Paramos numa alameda qualquer estacionando o carro numa vaga irregular mas que ninguém dava a minima pra isso numa hora daquelas.
Olhei muitos rostos ali e senti uma puta de uma ânsia de vomito.
 Cambada de filhos das putas!! Aproveitadores baratos, gentalha da pior espécie existente na crosta terrestre.
 Dei de ombros e encontrei Abby. Um semblante pálido e categórico da ocasião. Não tinha muito pra falar, então apenas um abraço disse tudo o que era possível sentir.
A pior coisa da morte é o fato dela estar lá presente e inerte a tudo e a todos. Não se pode pega-la e conversar com ela, ou leva-la a um bar para jogar cartas ou ver um strip.Não, simplesmente ela esta lá e NADA a pode confrontar.
Caminhei lento e sozinho e então olhei.
Até o momento era quase que inacreditável tudo aquilo mas agora...Era tangível e verosimílimo demais tudo aquilo.
Bee Bee estava ali deitado com seu mesmo sorriso de sempre. Mas não haveriam mais seus peidos, sua cara vermelha igual rola esfolada em momentos constrangedores em que eu usava de minha total falta de apreço social para deixar mais calmo. Era enlouquecedor e doloroso e forte.
 Apenas toquei-lhe os dedos como que me certificando do já certo.
Disse-lhe baixo junto ao ouvido gélido pra me esperar que em breve nops encontraríamos.
 Sai andando em direção ao primeiro bar que encontrei e pedi um scotch duplo.
Entornei em uma talagada e depois pedi outro e depois mais um pra tentar destilar aquilo.
Só restava chorar e esperar que o álcool ingerido pudesse dissipar a dor.
 Então, de mente mais clara e conformada, sentei-me à maquina e escrevi essas linhas como que em homenagem a esse cara e espero que ele leia de alguma forma e me escute e saiba que ninguém quer julga-lo ou condenar ou falar nada.
Apenas sentir uma puta de uma saudade e saber que as vezes os fins não bem diferentes do que nós imaginávamos

.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Quinta-Feira

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 Blake sentou-se na sala, ligou o radio, acendeu um cigarro, colocou uma musica pra tocar e, enquanto se esforçava pra resolver alguns afazeres domésticos cantarolou a musica aparentando até certa alegria.
 Na verdade era mais CALMA que qualquer outra coisa.
 Acabou o que tinha pra fazer e encontrou uma caixa de fotos.
 Ele 15 anos atrás empunhando sua guitarra com uma metralhadora.
Os olhos detinham uma chama viva e feroz, um animal pronto a dar o bote.
VIVO.
Depois, viu-se com os bebês, suas alegrias. Ele era mais magro, não tinha tantos cabelos brancos, mas tinha mais barriga que atualmente e não sabia certos macetes, embora ainda tivesse muitos sonhos, que se desfariam com as areias do tempo, mas até então ele não sabia.
 ELE SIMPLESMENTE NÃO SABIA.
Então, a musica chegou ao seu ápice e ele entendeu com a certeza fria de um condenado à forca tudo o que era aquilo.
RESIGNAÇÂO.
Era tudo o que cabia pro momento.
Daí, ele trocou os garotos, deu um beijo em cada e saiu pra rua pigarreando e tossindo e sentindo o frio de maio tocando-lhe os ossos como dedos finos da morte. A rua mostrava o que era o mundo sem nenhuma maquiagem e ele gostava, ou se acostumara DEMAIS à isso que era assim que se sentia confortável. Depois, foi o ônibus, a luta na madrugada e a dor de dente.
A manhã chegou e a sala parecia ainda maior.
 Um cânion havia sido criado e talvez nunca mais pudesse ser cruzado.Blake lembrou da infância e do cânion.
 Um cânion, cruzado apenas por cordas quando necessário transporte de suprimentos ou informações. Cordas de carne e sangue
 TALVEZ, FOSSE SEMPRE ASSIM.
 Ela sentou em frente ao computador e o mundo ainda parecia bom.
 Ali, dentro de uma câmara hermética, não havia crianças, nem aquele cara rude
Era bem mais fácil viver assim.



terça-feira, 10 de abril de 2012

MENOS DELICADO QUE UM CRUZADO

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Chuck Ladner era um cara bacana. A maioria das pessoas que afundavam na merda junto conosco o achavam esnobe e meio lelé da cuca mas eu bem sabia que não era nada disso.

Chuck lecionava literatura brasileira num colégio bacana e escrevia contos realmente muito bons.

Se interessava por um monte coisas malucas como xamanismo e religiões afro e quando escrevia, falava de uma maneira fácil e bucólica, conseguindo te transportar pra uma casa de campo em palavras.

Conheci Chuck uns 12 anos atrás quando ele fazia umas paradas de circo e outras coisas assim.Nosso gosto musical parecido nos aproximou e também a nossa total falta de aptidão junto à massa humana que convivíamos à época.

Estava sentado no canto da sala cozinhando meu rabo sob um Calor dos infernos quando Chuck chegou.

-E ai Cliff.

-Como esta Chuck? Fiquei feliz em saber que você tava nessa parada.

-Por que?

-Da pra gente bater um papo. Sabe como é, não me dou muito bem com a maioria.

-Mas eu vejo as pessoas falando contigo.

-Eu enceno quase tão bem quanto o Jake.

-Ninguém ganha dele.

-Nem mesmo o De Niro.

-Li seus contos...Brutos.

-É...Eu não consigo ser agradável...Escrevo em pé, como se estivesse operando uma metralhadora. De certa forma estou sempre querendo destruir alguma coisa. Talvez eu mesmo.

-É só seu jeito.

-Eu sei e gosto dele. Sou menos delicado que um cruzado.

-Suas piadas são duras.

-A vida me forjou assim. Sou um boxer em atos e escritas.Você sabe flutuar em nuvens de algodão doce.

-Gostei disso.Vou encarar como um elogio.

O resto do dia se arrastou feito bosta na ladeira.

Antigamente ficaria ainda mais irritado com tudo isso, mas a idade te traz certos luxos, como o poder de ver estes tons cinzas apenas em nuances.

Até que me pareceu delicado.

Fui pra casa e li uma estória bacana de Chuck depois sentei à maquina e escrevi mais um pouco sobre mim mesmo.

Esquivando das durezas do dia e jabeando minhas idéias confusas.

Em pé, fumando e irritado.

Mas disso quem não sabe?




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

INTERURBANO

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Matt estava deitado no sofá já havia dias e as coisas pareciam que continuariam assim por um bom tempo.
A bem da verdade, nem mesmo ele sabia como tudo aquilo havia começado.
Pintou como uma coisa qualquer e foi crescendo feito massa de bolo com fermento Royal e depois que se deglutiu, o devorou como um monstro devora sua caça.
O telefone tocou e ele viu o numero.
Suspirou fundo e atendeu.
-POR QUE VOCÊ DEMOROU TANTO PRA ATENDER ESSA PORRA!? VOCÊ TEM QUE ME ATENDER, VOCÊ ME DEVE ISSO!!
-Tudo bem, pode falar.
-Ta uma merda aqui.
-Aonde você ta?
-Estou longe de você, estou numa boa, DA PRA CALAR ESSA MERDA DESSA BOCA E ME OUVIR?
-Manda.
-Eu estava bebendo num bar hoje à tarde e de repente chegou um cara ao meu lado. Ele era GRANDE, grande mesmo e forte e bonito, não era um matusquela igual você.
-Aposto que sim
-CALA ESSA BOCA SEU MERDA! É VOCÊ QUEM TA PAGANDO ESSA BOSTA DESSA CONTA?! NÃO! ENTÃO CALA A BOCA E ME OUVE.
-Siga.
-Ele era grande mesmo, chegou ao meu lado e me ofereceu uma cerveja.Acabei aceitando e ficamos batendo papo. Ele me disse que era estudante de direito, quinto ano.Me chamou pra dançar e colocou uma moeda na jukebox.
Você sabe que eu não sei dançar, mas mesmo assim nós fomos.
Ele começou mais a roçar em mim do que qualquer outra coisa e fui sentindo o pau dele crescer na minha barriga.Era grande. Você ta me ouvindo?
-Hum hum.
Matt subiu as escadas pé ante pé sem fazer barulho algum. Abriu cuidadosamente a porta do quarto e viu que Karen ainda dormia.
-Você ta me ouvindo Matt?
-To.
-Ótimo.Então. Daí, fomos andar um pouco pela cidade. Ele me convidou pra irmos até a sua casa e eu topei.ficamos bebendo mais um pouco e de repente fomos pro quarto.Ele me fodeu de verdade. Me bateu na cara e me tratou como um homem trata uma mulher. ELE NÃO ERA COMO VOCÊ SEU MERDA! Ta me ouvindo?
-Hum Hum
-Que merda é hum hum? Você ta com medo DELA? Você é um merda, um medroso. Não sei como pude passar todo esse tempo com você?VOCÊ TA ME OUVINDO? NÃO ME IGNORE!
-Tô.
-Volto pra cidade amanhã, vou ver a Sheila e depois talvez eu te ligue.Espero que me atenda, mas sei que vai atender.
-Sim
-Tchau, seu merda!
Desligou o telefone na cara de Matt e ele ficou ali, no andar debaixo sentado no sofá.
Levantou-se foi à cozinha, pegou uma cerveja, dois calmantes e atirou tudo goela abaixo.
-Quem era no telefone?
-Era Sara.
- O que ela queria?
-O de sempre. Espinafrar e xingar e me dizer que fodeu com um cara de pau grande.
-Hum.
Karen subiu e Matt voltou ao sofá.
Você não precisava ser um bêbado pra acabar machucado. Você podia ser um cara qualquer numa tarde besta e acabar se machucando e virando um bêbado. E Matt se machucara e machucara Karen e ignorara todos os conselhos e sabedoria angariada em anos.
E agora, fitando o concreto da sala, tentava, como tantos outros bêbados, encontrar o sono, que dificilmente apareceria.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

UMA PERNA QUEBRADA NA ALTURA DO JOELHO.

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O Cliff fuma demais, dois maços de cigarro por dia e dos paraguaios, os mais baratos e vagabundos já criados pela industria da pirataria, condenando seus pulmões á um triste fim antes dos 50 se ele chegar até lá.
Bebe quase toda santa noite, bebe pinga, bebe vodka, cerveja, rum, jurubeba, vinho, cortezano, enfim, qualquer coisa liquida e etílica que lhe chegue às mãos, levando seu fígado, pâncreas e billis a um teste de sobrevivência.

Mistura tudo isso a aminoácidos, creatina, estriquinina e outras porcarias e se taca numa academia.Tem o pescoço taurino e uma força bruta sem técnica alguma.Apenas uma vontade de saber que ainda consegue fazer aqule troço.

Saio pela rua, entro a direita e telefone toca. É um cara bacana, amigo de infância.

-Cara, da pra dar uma chegada aqui?

-Da sim.

-Beleza, então to te esperando pra almoçar.

-Em 10 minutos estou ai.

Chego e entro no escritório. É uma sala grande e clara como o Sol bem no centro da cidade.

Ele tem a aparência jovial e confiante. É apenas dois anos mais novo que eu, mas aparenta ter pelo menos uns 15 a menos. NÃO! EU É QUE APARENTO TER UNS 20 A MAIS!! Espelho, espelho meu, o balde de fezes que me coube...Os anos de trabalho noturno custaram-me os olhos da cara e a pele dos ossos.

-Cliff! Como vai camarada.

-Henry, seu malandro! Ta numa boa hein bicho!

-Cara, esse lance pintou e foi bacana mesmo.

Ficamos sentados ali um tempo batendo papo. Ele tem uma cabeça boa, um milhão de idéias.

-Não sei Henry...sabe, já estive varias vezes sentado em salas como essa, com um cara atrás da mesa e eu indo embora sem picas no final.

-Cara, preciso de idéias de um cara como você aqui.

Comemos bem e nos despedimos deixando algumas idéias no ar.

O Cliff não sabe se vestir usa calças acima do numero pra não compara skate wear. Usa cintos em petição de miséria, compra sapatos usados.

O Cliff não tem bons modos à mesa, não usa faca pra cortar pão, amassa a garrafa de plástico quando bebe água no gargalo. Ele ronca, ele peida, ele tem frieiras que já tentou curar, mas não consegue.

Tem tatuagens velhas e algumas delas são tão mal acabadas quanto tua própria cara.

O Cliff não passa em concursos, não vai bem em redação.Não se da bem com pessoas do alto escalão, mau se entende com as do médio e convive em meio ao baixo.

Ele detesta freiras, moedas, raquetes de tênis, shopping centers, comida enlatada, batidão, musica country, moda country, pessoas de um modo geral.Odeia gatos, peixes ornamentais, novelas, comerciais de novelas, atores de novelas e mais uma porrada de coisas que eu demoraria uma eternidade pra elencar.

O Cliff suja os dedos de merda quando troca a fralda dos filhos. O Cliff coloca a fralda torta nos filhos e depois, quando a fralda vaza, põe a culpa nas marcas que compra.

Ele é pai, é filho, é espírito de porco

Amém.

Saio do almoço e dou uma volta pelas ruas pra matar o tempo.

O strip tease da multidão é o filme de horror da humanidade.

Época de natal e todo mundo se embrenhando naquela selva de consumo insano e eu também faço parte.

Entro numa loja, compro carrinhos, selos e outras coisas e dou sorte de enconchar uma vendedora com cara de vagaba que esta desesperada por uma comissão.

Saio tomo uma cerveja, fumo um cigarro e cruzo o velho portão azul.

Ele esta no balcão com uma cara estúpida e feliz.

É um cara e tanto.

-E ai bebezão! Como estão as coisas?

-Numa boa Cliff e você?

-Levando cara, levando e seguindo.

Uma garota se aproxima, Gleed Mayers.

-Cara ela é mesmo um carnão.

-Sei lá Proc. Só a acho bonita, deve ser boa com uma piroca na boca, mas tem pernas que mais lembram a porra de um Galeto.

-Ela te acha um escroto.

-A maioria acha bebezão, a maioria.

-Ola Proc! Boas festas! Você não ficou chateado com o que eu te disse a tarde não é?

-Não.

-Eu só tava brincando.

-Eu sei.

Vou ficando cada vez menor em meu canto.

Um ser abissal, homem abjeto, de poucos amigos.

Ela me olha por pura educação que eu, sinceramente, dispenso.

-Oi Cliff.

-Oi.

Saio de fininho em quanto os dois conversam animadamente.

Pego uns papeis e me mando pra rua.

O Cliff mau paga as contas, vive pendurado numa corda bamba em empregos escrotos desde os 16 e não há de melhorar.

Não é nomeado nada alem de alcoólatra e viciado em corridas.

O Cliff lê revista de sacanagem, site de sacanagem, outdoor de sacanagem e passou a adolescência e parte da fase adulta espiando o mundo pelo buraco da fechadura.

Fica de pau duro em horas erradas e passa por situações que seriam constrangedoras se tivesse um mínimo de moral, mas ele é amoral, nem boa nem ruim.

Apenas ele.

Cliff Viajando na Jamaica a bordo de uma nuvem dourada, Uma estatua do Cliff bem no centro de ST. Bernardino com uma calça de general e chapéu de Napoleão. Cliff dando lambadas numa morena de rabo grande e olhos azedos. Cliff lelé da cuca preso pelas grades do mundo e se perguntando onde estava a sorte que lhe fora confiada e nunca lhe foi entregue.

O Cliff toca guitarra mal, e dirige ainda pior. Não sabe fazer baliza e quando estaciona o carro no mercado acaba pegando 2 vagas.

Paro o carro no portão e ele vem me atender.
É começo de noite e ele tem uma aparência bem disposta.

-Cliff meu nego! Até que enfim hein!

-Fala Clyde seu safado sortudo! Estaciona pra mim que eu não sei esconder o carango nesse mocó.

-Você é um braço duro mesmo.

-Nunca neguei.

Entramos e lá esta a velha confraria. Sam, Clyde Aby e Jermaine.

-Fala negão vadio.

-E ai Sam, seu puto!

-Você nunca mais me ligou, seu merda!

-Você mudou o numero de telefone narigudo imbecil!

Abro uma garrafa de cerveja dou um grande gole e ele chega reclamando.

-Vocês só sabem é encher a cara!

-Porra Jermaine, não fode cara! Beber não é pecado. Se fosse, Jesus não teria transformado a água vinho e sim em coca-cola ou suco Del Valle.

-Vai te foder!

-Me passa a porra do Peixe!

-Não chama o peixe de porra! Você come porra?

-Não, mas eu conheço uns bons safados que bebem.

-Pro inferno essa merda!

Continuamos ali bebendo e comendo peixe e rindo e vivendo o fim de nossos dias.

Asas de liberdade momentânea, jockeys do inferno chicoteando cavalos de fogo!

Cliff chora quando vê filmes e quando ele chora é aquela chuva de lagrimas.

Cliff já chorou em hotéis que eram verdadeiras espeluncas, chorou em quartos baratos e sem luz.

Cliff se apaixona em um minuto, se empapuça em 30 segundos e é capaz de te odiar em 5.

Ele não escreve um texto que preste a anos e ficou horas sentado em frente a maquina pra escrever isso aqui que no fundo ele sabe que é uma bela de uma merda mas foi o melhor que conseguiu.

Ele tem medo da zebra do fantástico, medo do Boris casoy, tem restos de cogumelo espalhado pelo estomago e um coração feito com peças velhas de um relógio qualquer.

E ele tem uma perna quebrada na altura do joelho que o impedira de se ajoelhar ante DEUS em seu miraculoso palácio hebraico no alto dos céus e o ouvir dizer ao menos uma vez.

MISERICÓRDIA

MISERICÓRDIA

MISERICÓRDIA

Meu velho safado...

Por você e por tudo que te fiz passar.

Entrei liguei a tv e vi Tyson arrancar a cabeça de Thomas com dinamites de direta.

Fui ao quarto tirei as calças velhas e deixei que a musica tocasse.

Era tudo o que restava a fazer.










quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

12 PREGAS

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Herbie me ligou na manhã de quarta dizendo que no dia seguinte conseguira, após longos 9 meses de aguardo, um exame que custava os olhos da cara, no serviço publico, mas era necessário um acompanhante pra encarar o troço e assim, fui selecionado

Levantei cedo, tomei os remédios matinais (maldito estomago que me fode como um gambá!) acendi um cigarro me troquei e sai pela rua com destino a um dia que poderia ter sido bem melhor.

Entrei no ônibus, desci no terminal e corri pra outra fila. (Preciso comprar logo um carro, minhas histórias tem se passado demais em filas de ônibus e lugares assim)! Então o telefone tocou.

-Aonde você ta Cliff?

-To mais adiantado que imaginava pai. A gente se encontra no metro.

-Certo

Desci do ônibus, subi as escadas rolantes, rolando feito bosta lá pra cima.

Parei na lanchonete e pedi um chapado. Sentei no banco e quando comecei a comer uma senhora sentou-se ao meu lado. Ela não tinha uma orelha. Era apenas um buraco com alguns pelos salientes. Olhei pro pão e pro chocolate. Não tinham mais uma aparência bacana. Talvez por causa da falta de orelha de minha acompanhante ocasional.

Paguei, dei duas dentadas engoli o chocolate e olhei o relógio da estação.

Segui pelo corredor e encontrei Herbie vindo pelo lado de baixo.

- E ai pai? Como ta?

-Numa boa, falaram que é um lance sossegado mas precisa de um acompanhante.

-Claro, vamos?

-Vamos lá pro lado de fora que tem uma linha direta e mais tranqüila.

-O que você disser.

Saímos da estação e fomos pro Sol. Herbie estava realmente com uma cara boa, de bermudas e camisa de gola em V. Herbie era um cara bacana alem de ser meu pai. Bruto durão áspero feito lixa 5 mas um patcha coração.

-E a Maggy? Já era mesmo?

-Dei-lhe um pé no rabo e ela aceitou. Não vou reclamar e dizer que foi só uma longa foda, mas não foi o amor da minha vida e já não dava mais.

-É, é mesmo.

-E você?

-Vou levando.

-Os guris estão um barato.

-Tão mesmo.

Ficamos ali na fila curtindo o Sol e olhando os rabos que passavam.

-Olha lá.

-Hum...

-Forte.

-É...

O ônibus chegou e entramos com todas as outras pessoas em direção ao hospital.

Entramos 10 minutos adiantados em relação ao horário marcado, entregamos os documentos e sentamos.

-Acho que vai ser rápido.

-Sem crise meu velho.

Um senhor de seus 80 anos chegou junto de um cara grande que mais parecia a porra de um índio mohawk.

- Ai? Esse é seu garoto?

-É.

Nos cumprimentamos e sentamos olhando os números no painel.

Um dia em hospitais, numa fila, vale mais do que bancos de faculdade em vários aspectos. Você esta lá, na beira do abismo, mas conta ainda com esperança e a fúria de um tigre velho, a ferocidade da proximidade do fim pra te fazer superar os desafios que estão por vir.

Por fim o nosso numero surgiu no painel e fomos até o local.

Uma morena alta de óculos e um insinuante par de coxas grossas nos atendeu.

-Sr. Herbie, o senhor será o próximo. Devo dizer que o senhor pode ter algumas complicações como desmaios ou queda abrupta de pressão.

-Não me disseram nada disso, mas esta tudo bem.

Logo na seqüência chamaram o amigo de meu pai. O vi ao lado de seu filho junto da morena que mostrava agora uma boa gama de coxas gesticulando loucamente e com um olhar aflito.

Veio pra junto de nós.

-Te disseram que é sem anestesia?

-Não.

-Cara, fiz esse exame uns 14vanos atrás a seco e sinceramente isso é desumano.

-O que é no fim das contas?

-Eles enfiam uma agulha grande pra diabo com uma espécie de micro chave turquesa na ponta pelo lado do teu rabo e vão até no fundo. Lá dentro cortam uns 12 pedaços. É como ser mordido por um cachorro dentro do cu!

-A seco?!

-Se derem anestesia, você leva de boa, mas a seco é praticamente homicídio.

Voltamos pra mesa da morena. Ela mostrava cada vez mais coxas, talvez tentando dar um alento, ou enganar o touro que seria abatido.

-Precisamos falar com o médico.

-Ele não se encontra sr. Herbie.

-Olha garota, eu não farei esse troço a seco de jeito nenhum.

-Talvez não doa tanto.

-O Tyson disse o mesmo ao Riddick.

-Hã?!

-Olha, se alguém entrar naquela sala e ter o rabo cortado internamente por uma turquesa, só 12 pregas, eu entro e nem faço careta, caso contrario eu me mando.

-Nesse caso teremos que remarcar pra uma data muito posterior.

-Nesse caso eu aguardo.

Saímos sob o Sol de dezembro olhando as compras de natal e o aguardo do bom andamento do serviço publico.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS 5

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Blake olhou no espelho e percebeu mais uma vez tudo o que o tempo fizera com ele.

A pele marcada e a testa franzida, os olhos reduzidos à fendas, os cabelos brancos criavam um teto para um teatro queimado, uma bandeira de derrota ululante.

Caminhou pela sala e lembrou-se de quando pisava em carrinhos e bonecos. É... O tempo passara mesmo e agora, parafina, camisetas, livros e alguns cds ainda insistiam em ficar no chão, mas agora era diferente.

Olhou pela janela e os viu sentados à beira mar. Meu Deus! Eram fortes, belos, viris.Tinham um mundo pela frente e mãos duras para agarrá-lo.

Sentiu-se feliz como há tempos não ficava. Uma sensação de soldado honrado no campo de batalha que vencera o inimigo e cumprira sua missão com louvor.

Pegou a mala, os livros o note jogou dentro do carro e foi até a areia caminhando levemente.

-E ai rapaziada!
-Oi meu velho.

-Você vai mesmo pai?

-Estarei aqui ao lado Jamal, e sempre estarei com vocês. Toma! Uma cópia das chaves. A porta estará sempre aberta.

- Vamos ficar aqui com a mamãe um tempo pai, mas sempre estaremos lá.

-É claro Mike.

-Você segurou bem a onda, sempre nos livrou de tudo e todos.Obrigado.

-Escuta Hank, vocês são a luz no fim de tudo cara! Eu devo a vocês. Sem vocês eu não teria conseguido. Mas fico feliz em ver que vocês se tornaram homens incríveis, fortes.

Foram lhes tirada a atenção por 3 jovens que passavam desfilando minúsculos biquínis fio dental.Corpos jovens, bronzeados sorridentes, oferecendo-se aos 3 garotões dourados pelo Sol.

-Vejam isso minhas crias. Peitos, bundas, xotas, todas ai, loucas por vocês, mas tomem cuidados! Elas podem te matar. O Amor é um cão dos diabos!

-Velho depravado!

-Mandem um beijo pra Eleanor quando ela passar por aqui.

-Podemos ficar com o carro?

-O carro é de vocês Mike, eu vou ficar com a coisa.

Se abraçaram e sorriam. Espartanos, não se permitiam chorar embora fosse essa a vontade.

-A gente se vê no vovô Herbie semana que vem.

-Vai fazer o que agora velhão?

-Dar uma banda, acho que mereço.

-Merece sim! Abraço!

Blake ligou o carro velho e cansado saiu pela orla.

Poucos amigos, ninguém à sua espera.Apenas um holandês voador, um fantasma morta a anos.

Apenas um velho em busca de paz e se houvesse um novo amor na estrada ter cuidado pra não tropeçar.

Parou em frente à um puteiro barato e entrou.

Era um bom começo.

Em casa, comida à mesa, a cadeira vazia.

Sem a fala rude, sem gritos.

Betty respirou profundamente aliviada e enfim se permitiu sorrir.

FIM