terça-feira, 15 de outubro de 2013

MEU PÁSSARO CINZA

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Meu Pássaro  é cinza

Soltei meu pássaro cinza
Pra voar pela sala
Numa manhã de sábado.
Em frentes aos guris
Que riram com ele
Que se assustaram com sua pequenez
E ele ficou feliz por ver essa gente
Pela primeira vez.

Depois tranquei-o de novo
Aqui no meu peito
E lá naquela jaula azul
A menina bonita não pode lhe ver
Nem o homem áspero pode lhe conhecer
Talvez o cara legal que escreve tão bem
Mas nunca o panaca com cara de cavalo
Aquele ao qual não quero bem.

Alguns já o viram por ai
Mas são bons o suficiente para manterem-se calados
Sabem que não vou deixa-lo morrer
Mas sabem que ele não deve voar por ai
Assim pra qualquer lado

E ele precisa ficar ali fechado
Por que ele preso me faz ser quem sou
E quando ele sai
Bem, diabos eu choro
Contrariando seu criador
Que por ele jamais chorou.
Baseado no poema “Bluebird” de Charles Bukowski.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Previsão de chuva para o domingo que vem.

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 (Quando os celulares tocam)


Blake estava trabalhando naquela noite de sábado no Dead End’s bar e não era algo que se podia ter orgulho. Tudo bem, era melhor que a merda rançosa do trabalho público e ajudava a pagar as contas. De certo modo era engraçado. Toda a fauna de pseudo-estrelas e falidos pomposos da cidade provinciana acabavam aparecendo por lá e Blake ria com isso e o ajudava a se manter são.

Naquela noite de sábado ele estava em parceria de Carl Anderson.

Carl era um bom amigo. Um dos poucos que Blake cultivara nos anos de trabalho. Garoto jovem e esperto, leitor de Kafka e Faulkner, escrevia ótimas poesias.

-Blake, isso aqui é mesmo bizarro.Bem que você havia me dito.

-Te Falei Carl, é engraçado pacas. Esses figuras e seus deslumbres e suas estórias fodidas embaladas em papel brilhante pra disfarçar.

-Só.

A noite ia se arrastando feito merda quando chegaram Becky e seu marido.

 Becky fora uma ex-namorada de Blake, viviam aos berros e xingamentos e agora ela era casada com um músico cafona e decadente.

 Blake agora estava casado com Betty e tinha com ela três filhos, um cachorro e uma hipoteca. Viviam também aos berros e xingamentos, mas era o jeito de Blake.

 Becky passou por Blake, lhe deu um sorriso amarelo e estúpido. Encantado e alegre como sempre fora.

Carl saiu de banda pra fumar um cigarro. Sentiu o telefone vibrar em suas calças e atendeu.

 -Oi Baby. Como estão as coisas por ai?

-Tranquilas Shanon.É um troco fácil de ganhar.

-Pensou sobre o assunto Carl?

 -Pensei e...Bem, a coisa ainda é mesma Shanon.

- VOCÊ SABE QUE EU NÃO VOU VOLTAR ATRÁS.

 -E eu também não vou mudar de ideia então, temos um impasse.

-Pense melhor Carl.

-Você também Shan.

Ela desligou com aspereza e Carl seguiu fumando seu cigarro sabendo que não seria fácil mudar as coisas.

Là dentro do Bar, Becky sentou-se ao lado de Blake junto com um cara gordo e extremamente chato que a idolatrava com um carola devoto. Era confortável à Becky ter alguém assim e começaram a falar.

Falar.

 Falar.

Falar.

Falando interminavelmente sobre assuntos intermináveis.

De repente Becky virou-se pra Blake.

-Você não é mais o mesmo. Não gosta de pessoas, não gosta de ninguém e você..blá, blá, blá...

Se Blake fosse uma pedra ela falaria.

Se ela fosse uma esfinge, ainda assim ela falaria.

 Blake levantou, deu de ombros e foi pra rua fumar um cigarro.

 A noite era nebulosa e sinistra.

O telefone tocou no bolso esquerdo da calça de Blake.

-ELA TA AI NÉ?

-Betty, por favor... Não me venha com essa merda agora.

 -EU SEI QUE ELA TA AI BLAKE!! VOCÊ TA FELIZ AGORA??!!

 -Porra mulher! Eu venho aqui e esfolo meu rabo fodido por horas e você agora me vem com essa?

-VOCÊ SABE O QUE VOCÊ FEZ BLAKE! VOCÊ SABE O QUE FEZ! VOCÊ GOSTARIA QUE EU TIVESSE FEITO O MESMO?

 -Diabo mulher! Não sei... faça e ai eu descubro.

 Betty bateu o telefone e Blake voltou pra dentro do bar e seguiu trabalhando por mais uma hora e meia até pegar a grana e entrar no carro.

 -É Blake meu velho. A Shanon ta pegando no meu pé pra caramba por causa daquele lance.

-Nem me fala cara. A Betty ligou agora pouco, berrando e xingando...Elas NUNCA superam.

 -É.

Seguiram bebendo uma bud cada um até chegar em cofeville.

Carl desceu do carro, pegou as coisas no porta- malas.

-Valeu Blake, vou tentar dormir um pouco. Pelo visto hoje vai ser um dia daqueles.

 -Vou nessa também garoto. Encontrar meu infortúnio de hora marcada. Um verdadeiro voluntario à Aschwitz.

Carl subiu as escadas e deitou-se sabendo que as coisas voltariam à tona assim que acordasse.

Blake seguiu dirigindo e bebendo, sabendo que embora a primavera estivesse começando em todo o país, e o Sol começava a irradiar um dia de piscina, mas para ele, o domingo chegaria com uma chuva daquelas.




sábado, 15 de junho de 2013

Camisa 8 Canarinho






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E quando a viu pela primeira vez, sentiu-se assim deslumbrado. Como aquele que vê o incrível frente aos seus olhos nus
Era ela como TUDO que ele sempre sonhara pra si.
Dona de  TUDO que ele sempre  pensou ser impossível conceber em uma só pessoa.
E imaginou-a rodopiando em seus braços, leve como a noite, sinuoso tal qual a fumaça que baila desafiadora e calada, na parceria da escrita.
Sonhou uma canção para ouvir com ela.
Alguém pra não mudar.
Alguém a quem não explicar
Seu jeito.
E quando a fitou com seus grandes olhos cansados, foi como ver as belas fotografias de Pi.
E ouviu sua boca sempre falante se calar.
E sentiu, a cerveja que sempre umedecera seus lábios se secar.
Percebeu-se pequeno diante dela, como quem mira o universo. Como um tigre a olhar o Oceano.
Profundo
Mágico
Infinito.          
E quando ouviu sua risada, constrita, ouviu os acordes de suas favoritas canções ritmarem com o rufar de seu coração, no ritmo acelerado das músicas gritadas que embalavam seus dias.
E também os dela.
Sentou-se à maquia e fez das letras seus pincéis e das palavras tintas que a eternizaram em aquarelas de luz.
Mas seu talento Goethico cunhado no atraso e na perda fez-se presente.
E como um voyeur no limiar do espaço lembrou-se menino a olhar a camisa 8 canarinho.
Que sonhou vestir e viu se transformar
Como a imagem dela                          
Oh! Deus! Como era bela.
Num retrato na alma para guardar.





terça-feira, 21 de agosto de 2012

TOMAHAWK

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  Fúrias eclesiásticas, surtos de psicose programados pra lucrar e terminando em palhaçada débil e triste. Gente boa indo embora pra NUNCA mais voltar de verdade e gosto de vinagre entrando pelas narinas no meio da noite. 
 Cobertor umedecido por acidente e renite crônica atacando o sistema respiratório, vitima do ar seco, das almas, secas do povo seco, dos comentários secos, das conversas pálidas, da cerveja morna e da fecal enxurrada de sandices as quais minha pobre e já dilacerada alma é obrigada a suportar por míseros níqueis, suficientes apenas para uma sobrevivência inglória e puída. 
 Penso nisso enquanto escuto lemonheads e leio Fante dentro de uma grande e gélida lata sacolejante, sentindo o frio a me carcomer os ossos naquela manhã. 
“Em que porra de lugar que me meti?” “Como deixei ficar assim?” “Por que ter de passar por isso Meu DEUS TODO PODEROSO?” 
Sou sacudido de meus pensamentos confusos e conturbados por um rabo saltitante que sacode miraculosamente belo em meio a embrulhos de lojas de departamento.
 SIM! Existe um céu em algum lugar e talvez possa ser tocado. 
Então desço as escadas, fumo mais um cigarro, o zilhonésimo terceiro da minha vida e vejo o Sol gelado ferir minhas pupilas habituadas demais aos ritos noturnos e me emergem as figuras pueris e angelicais e graciosas das dádivas que plantei e respiro aliviado o carbono dos caminhões, sorvendo das paredes de cobalto da cidade a essência que me fortalece pra lutar contra os que depositam nos animais toda a mentira que os rege em relação aos humanos. 
 Em frente à caixa mágica que transporta e emana idéias, sou atacado por vermes minúsculos, mas um bocado insistentes que com apenas um leve espanadar de dedos conjuro ao inferno. 
Salto como um anti-herói insano na penumbra focando apenas o que me é necessário pra escapar senão ileso, ao menos vivo disso tudo e encontro em lembranças o que é preciso. 
Então me sento, lembro de um bom escritor de poesias, talvez o melhor que eu conheça e bebericando de seu estilo como quem degusta um excelente carbonel, deixo as frases correrem soltas como lobos uivantes por estas linhas elétricas de papel.

Dedicated and sampled to “The soturn golden axe”


terça-feira, 10 de julho de 2012

Pior que um dia ruim

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 Estava em casa, numa manhã clara de junho quando o telefone tocou.
Era Ed Carter.
-Oi Cliff.
 -Ed! Quanto tempo cara.
-É...Ei você ta sabendo algo sobre...
-Não.
-Bom, disseram ai. Se souber de algo me ligue.
-Certo.
Desliguei o telefone, dei uma coçada no saco e disquei novamente.
-@#& co. é Letter...
 -Oi cara, é Cliff.
 -Opa! Que manda?
 -O Carter acabou de me ligar e disse...
-É verdade cara.
-Puta merda!
-É.
-Bom, sabendo de mais me ligue.
-Claro Cliff, eu sinto muito.
Desliguei e ai o baque começou a pegar. Diabos. Era mesmo verdade. Sai pra rua e tentei não pensar no assunto pelo menos por umas duas horas. Fiz academia, passei em mercados e vivi um dia tentando fugir da realidade.
Tomei um banho rápido, coloquei uma camisa de botão, que achei que era conveniente para o momento. Entrei no ônibus e as memórias vieram-me a cabeça como filme antigo e fácil de se gostar e sorrir.
 Cheguei ao centro encontrei Clyde sentado junto ao carro.
 -Cliff.
-Uma merda mesmo cara...uma puta de uma merda...
-Inacreditável.
-Vou precisar beber algo pra encarar.
-Eu também cara...Eu também.
Entramos no carro e rodamos por algumas quadras e as coisas começaram a piorar. Um sentimento horrível crescia dentro do peito. Inevitável e doloroso. Jermaine juntou-se a nós nessa caminhada rumo ao desfiladeiro de emoções que se anunciava à nossa frente.
Paramos numa alameda qualquer estacionando o carro numa vaga irregular mas que ninguém dava a minima pra isso numa hora daquelas.
Olhei muitos rostos ali e senti uma puta de uma ânsia de vomito.
 Cambada de filhos das putas!! Aproveitadores baratos, gentalha da pior espécie existente na crosta terrestre.
 Dei de ombros e encontrei Abby. Um semblante pálido e categórico da ocasião. Não tinha muito pra falar, então apenas um abraço disse tudo o que era possível sentir.
A pior coisa da morte é o fato dela estar lá presente e inerte a tudo e a todos. Não se pode pega-la e conversar com ela, ou leva-la a um bar para jogar cartas ou ver um strip.Não, simplesmente ela esta lá e NADA a pode confrontar.
Caminhei lento e sozinho e então olhei.
Até o momento era quase que inacreditável tudo aquilo mas agora...Era tangível e verosimílimo demais tudo aquilo.
Bee Bee estava ali deitado com seu mesmo sorriso de sempre. Mas não haveriam mais seus peidos, sua cara vermelha igual rola esfolada em momentos constrangedores em que eu usava de minha total falta de apreço social para deixar mais calmo. Era enlouquecedor e doloroso e forte.
 Apenas toquei-lhe os dedos como que me certificando do já certo.
Disse-lhe baixo junto ao ouvido gélido pra me esperar que em breve nops encontraríamos.
 Sai andando em direção ao primeiro bar que encontrei e pedi um scotch duplo.
Entornei em uma talagada e depois pedi outro e depois mais um pra tentar destilar aquilo.
Só restava chorar e esperar que o álcool ingerido pudesse dissipar a dor.
 Então, de mente mais clara e conformada, sentei-me à maquina e escrevi essas linhas como que em homenagem a esse cara e espero que ele leia de alguma forma e me escute e saiba que ninguém quer julga-lo ou condenar ou falar nada.
Apenas sentir uma puta de uma saudade e saber que as vezes os fins não bem diferentes do que nós imaginávamos

.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Quinta-Feira

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 Blake sentou-se na sala, ligou o radio, acendeu um cigarro, colocou uma musica pra tocar e, enquanto se esforçava pra resolver alguns afazeres domésticos cantarolou a musica aparentando até certa alegria.
 Na verdade era mais CALMA que qualquer outra coisa.
 Acabou o que tinha pra fazer e encontrou uma caixa de fotos.
 Ele 15 anos atrás empunhando sua guitarra com uma metralhadora.
Os olhos detinham uma chama viva e feroz, um animal pronto a dar o bote.
VIVO.
Depois, viu-se com os bebês, suas alegrias. Ele era mais magro, não tinha tantos cabelos brancos, mas tinha mais barriga que atualmente e não sabia certos macetes, embora ainda tivesse muitos sonhos, que se desfariam com as areias do tempo, mas até então ele não sabia.
 ELE SIMPLESMENTE NÃO SABIA.
Então, a musica chegou ao seu ápice e ele entendeu com a certeza fria de um condenado à forca tudo o que era aquilo.
RESIGNAÇÂO.
Era tudo o que cabia pro momento.
Daí, ele trocou os garotos, deu um beijo em cada e saiu pra rua pigarreando e tossindo e sentindo o frio de maio tocando-lhe os ossos como dedos finos da morte. A rua mostrava o que era o mundo sem nenhuma maquiagem e ele gostava, ou se acostumara DEMAIS à isso que era assim que se sentia confortável. Depois, foi o ônibus, a luta na madrugada e a dor de dente.
A manhã chegou e a sala parecia ainda maior.
 Um cânion havia sido criado e talvez nunca mais pudesse ser cruzado.Blake lembrou da infância e do cânion.
 Um cânion, cruzado apenas por cordas quando necessário transporte de suprimentos ou informações. Cordas de carne e sangue
 TALVEZ, FOSSE SEMPRE ASSIM.
 Ela sentou em frente ao computador e o mundo ainda parecia bom.
 Ali, dentro de uma câmara hermética, não havia crianças, nem aquele cara rude
Era bem mais fácil viver assim.



terça-feira, 10 de abril de 2012

MENOS DELICADO QUE UM CRUZADO

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Chuck Ladner era um cara bacana. A maioria das pessoas que afundavam na merda junto conosco o achavam esnobe e meio lelé da cuca mas eu bem sabia que não era nada disso.

Chuck lecionava literatura brasileira num colégio bacana e escrevia contos realmente muito bons.

Se interessava por um monte coisas malucas como xamanismo e religiões afro e quando escrevia, falava de uma maneira fácil e bucólica, conseguindo te transportar pra uma casa de campo em palavras.

Conheci Chuck uns 12 anos atrás quando ele fazia umas paradas de circo e outras coisas assim.Nosso gosto musical parecido nos aproximou e também a nossa total falta de aptidão junto à massa humana que convivíamos à época.

Estava sentado no canto da sala cozinhando meu rabo sob um Calor dos infernos quando Chuck chegou.

-E ai Cliff.

-Como esta Chuck? Fiquei feliz em saber que você tava nessa parada.

-Por que?

-Da pra gente bater um papo. Sabe como é, não me dou muito bem com a maioria.

-Mas eu vejo as pessoas falando contigo.

-Eu enceno quase tão bem quanto o Jake.

-Ninguém ganha dele.

-Nem mesmo o De Niro.

-Li seus contos...Brutos.

-É...Eu não consigo ser agradável...Escrevo em pé, como se estivesse operando uma metralhadora. De certa forma estou sempre querendo destruir alguma coisa. Talvez eu mesmo.

-É só seu jeito.

-Eu sei e gosto dele. Sou menos delicado que um cruzado.

-Suas piadas são duras.

-A vida me forjou assim. Sou um boxer em atos e escritas.Você sabe flutuar em nuvens de algodão doce.

-Gostei disso.Vou encarar como um elogio.

O resto do dia se arrastou feito bosta na ladeira.

Antigamente ficaria ainda mais irritado com tudo isso, mas a idade te traz certos luxos, como o poder de ver estes tons cinzas apenas em nuances.

Até que me pareceu delicado.

Fui pra casa e li uma estória bacana de Chuck depois sentei à maquina e escrevi mais um pouco sobre mim mesmo.

Esquivando das durezas do dia e jabeando minhas idéias confusas.

Em pé, fumando e irritado.

Mas disso quem não sabe?




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

INTERURBANO

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Matt estava deitado no sofá já havia dias e as coisas pareciam que continuariam assim por um bom tempo.
A bem da verdade, nem mesmo ele sabia como tudo aquilo havia começado.
Pintou como uma coisa qualquer e foi crescendo feito massa de bolo com fermento Royal e depois que se deglutiu, o devorou como um monstro devora sua caça.
O telefone tocou e ele viu o numero.
Suspirou fundo e atendeu.
-POR QUE VOCÊ DEMOROU TANTO PRA ATENDER ESSA PORRA!? VOCÊ TEM QUE ME ATENDER, VOCÊ ME DEVE ISSO!!
-Tudo bem, pode falar.
-Ta uma merda aqui.
-Aonde você ta?
-Estou longe de você, estou numa boa, DA PRA CALAR ESSA MERDA DESSA BOCA E ME OUVIR?
-Manda.
-Eu estava bebendo num bar hoje à tarde e de repente chegou um cara ao meu lado. Ele era GRANDE, grande mesmo e forte e bonito, não era um matusquela igual você.
-Aposto que sim
-CALA ESSA BOCA SEU MERDA! É VOCÊ QUEM TA PAGANDO ESSA BOSTA DESSA CONTA?! NÃO! ENTÃO CALA A BOCA E ME OUVE.
-Siga.
-Ele era grande mesmo, chegou ao meu lado e me ofereceu uma cerveja.Acabei aceitando e ficamos batendo papo. Ele me disse que era estudante de direito, quinto ano.Me chamou pra dançar e colocou uma moeda na jukebox.
Você sabe que eu não sei dançar, mas mesmo assim nós fomos.
Ele começou mais a roçar em mim do que qualquer outra coisa e fui sentindo o pau dele crescer na minha barriga.Era grande. Você ta me ouvindo?
-Hum hum.
Matt subiu as escadas pé ante pé sem fazer barulho algum. Abriu cuidadosamente a porta do quarto e viu que Karen ainda dormia.
-Você ta me ouvindo Matt?
-To.
-Ótimo.Então. Daí, fomos andar um pouco pela cidade. Ele me convidou pra irmos até a sua casa e eu topei.ficamos bebendo mais um pouco e de repente fomos pro quarto.Ele me fodeu de verdade. Me bateu na cara e me tratou como um homem trata uma mulher. ELE NÃO ERA COMO VOCÊ SEU MERDA! Ta me ouvindo?
-Hum Hum
-Que merda é hum hum? Você ta com medo DELA? Você é um merda, um medroso. Não sei como pude passar todo esse tempo com você?VOCÊ TA ME OUVINDO? NÃO ME IGNORE!
-Tô.
-Volto pra cidade amanhã, vou ver a Sheila e depois talvez eu te ligue.Espero que me atenda, mas sei que vai atender.
-Sim
-Tchau, seu merda!
Desligou o telefone na cara de Matt e ele ficou ali, no andar debaixo sentado no sofá.
Levantou-se foi à cozinha, pegou uma cerveja, dois calmantes e atirou tudo goela abaixo.
-Quem era no telefone?
-Era Sara.
- O que ela queria?
-O de sempre. Espinafrar e xingar e me dizer que fodeu com um cara de pau grande.
-Hum.
Karen subiu e Matt voltou ao sofá.
Você não precisava ser um bêbado pra acabar machucado. Você podia ser um cara qualquer numa tarde besta e acabar se machucando e virando um bêbado. E Matt se machucara e machucara Karen e ignorara todos os conselhos e sabedoria angariada em anos.
E agora, fitando o concreto da sala, tentava, como tantos outros bêbados, encontrar o sono, que dificilmente apareceria.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

UMA PERNA QUEBRADA NA ALTURA DO JOELHO.

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O Cliff fuma demais, dois maços de cigarro por dia e dos paraguaios, os mais baratos e vagabundos já criados pela industria da pirataria, condenando seus pulmões á um triste fim antes dos 50 se ele chegar até lá.
Bebe quase toda santa noite, bebe pinga, bebe vodka, cerveja, rum, jurubeba, vinho, cortezano, enfim, qualquer coisa liquida e etílica que lhe chegue às mãos, levando seu fígado, pâncreas e billis a um teste de sobrevivência.

Mistura tudo isso a aminoácidos, creatina, estriquinina e outras porcarias e se taca numa academia.Tem o pescoço taurino e uma força bruta sem técnica alguma.Apenas uma vontade de saber que ainda consegue fazer aqule troço.

Saio pela rua, entro a direita e telefone toca. É um cara bacana, amigo de infância.

-Cara, da pra dar uma chegada aqui?

-Da sim.

-Beleza, então to te esperando pra almoçar.

-Em 10 minutos estou ai.

Chego e entro no escritório. É uma sala grande e clara como o Sol bem no centro da cidade.

Ele tem a aparência jovial e confiante. É apenas dois anos mais novo que eu, mas aparenta ter pelo menos uns 15 a menos. NÃO! EU É QUE APARENTO TER UNS 20 A MAIS!! Espelho, espelho meu, o balde de fezes que me coube...Os anos de trabalho noturno custaram-me os olhos da cara e a pele dos ossos.

-Cliff! Como vai camarada.

-Henry, seu malandro! Ta numa boa hein bicho!

-Cara, esse lance pintou e foi bacana mesmo.

Ficamos sentados ali um tempo batendo papo. Ele tem uma cabeça boa, um milhão de idéias.

-Não sei Henry...sabe, já estive varias vezes sentado em salas como essa, com um cara atrás da mesa e eu indo embora sem picas no final.

-Cara, preciso de idéias de um cara como você aqui.

Comemos bem e nos despedimos deixando algumas idéias no ar.

O Cliff não sabe se vestir usa calças acima do numero pra não compara skate wear. Usa cintos em petição de miséria, compra sapatos usados.

O Cliff não tem bons modos à mesa, não usa faca pra cortar pão, amassa a garrafa de plástico quando bebe água no gargalo. Ele ronca, ele peida, ele tem frieiras que já tentou curar, mas não consegue.

Tem tatuagens velhas e algumas delas são tão mal acabadas quanto tua própria cara.

O Cliff não passa em concursos, não vai bem em redação.Não se da bem com pessoas do alto escalão, mau se entende com as do médio e convive em meio ao baixo.

Ele detesta freiras, moedas, raquetes de tênis, shopping centers, comida enlatada, batidão, musica country, moda country, pessoas de um modo geral.Odeia gatos, peixes ornamentais, novelas, comerciais de novelas, atores de novelas e mais uma porrada de coisas que eu demoraria uma eternidade pra elencar.

O Cliff suja os dedos de merda quando troca a fralda dos filhos. O Cliff coloca a fralda torta nos filhos e depois, quando a fralda vaza, põe a culpa nas marcas que compra.

Ele é pai, é filho, é espírito de porco

Amém.

Saio do almoço e dou uma volta pelas ruas pra matar o tempo.

O strip tease da multidão é o filme de horror da humanidade.

Época de natal e todo mundo se embrenhando naquela selva de consumo insano e eu também faço parte.

Entro numa loja, compro carrinhos, selos e outras coisas e dou sorte de enconchar uma vendedora com cara de vagaba que esta desesperada por uma comissão.

Saio tomo uma cerveja, fumo um cigarro e cruzo o velho portão azul.

Ele esta no balcão com uma cara estúpida e feliz.

É um cara e tanto.

-E ai bebezão! Como estão as coisas?

-Numa boa Cliff e você?

-Levando cara, levando e seguindo.

Uma garota se aproxima, Gleed Mayers.

-Cara ela é mesmo um carnão.

-Sei lá Proc. Só a acho bonita, deve ser boa com uma piroca na boca, mas tem pernas que mais lembram a porra de um Galeto.

-Ela te acha um escroto.

-A maioria acha bebezão, a maioria.

-Ola Proc! Boas festas! Você não ficou chateado com o que eu te disse a tarde não é?

-Não.

-Eu só tava brincando.

-Eu sei.

Vou ficando cada vez menor em meu canto.

Um ser abissal, homem abjeto, de poucos amigos.

Ela me olha por pura educação que eu, sinceramente, dispenso.

-Oi Cliff.

-Oi.

Saio de fininho em quanto os dois conversam animadamente.

Pego uns papeis e me mando pra rua.

O Cliff mau paga as contas, vive pendurado numa corda bamba em empregos escrotos desde os 16 e não há de melhorar.

Não é nomeado nada alem de alcoólatra e viciado em corridas.

O Cliff lê revista de sacanagem, site de sacanagem, outdoor de sacanagem e passou a adolescência e parte da fase adulta espiando o mundo pelo buraco da fechadura.

Fica de pau duro em horas erradas e passa por situações que seriam constrangedoras se tivesse um mínimo de moral, mas ele é amoral, nem boa nem ruim.

Apenas ele.

Cliff Viajando na Jamaica a bordo de uma nuvem dourada, Uma estatua do Cliff bem no centro de ST. Bernardino com uma calça de general e chapéu de Napoleão. Cliff dando lambadas numa morena de rabo grande e olhos azedos. Cliff lelé da cuca preso pelas grades do mundo e se perguntando onde estava a sorte que lhe fora confiada e nunca lhe foi entregue.

O Cliff toca guitarra mal, e dirige ainda pior. Não sabe fazer baliza e quando estaciona o carro no mercado acaba pegando 2 vagas.

Paro o carro no portão e ele vem me atender.
É começo de noite e ele tem uma aparência bem disposta.

-Cliff meu nego! Até que enfim hein!

-Fala Clyde seu safado sortudo! Estaciona pra mim que eu não sei esconder o carango nesse mocó.

-Você é um braço duro mesmo.

-Nunca neguei.

Entramos e lá esta a velha confraria. Sam, Clyde Aby e Jermaine.

-Fala negão vadio.

-E ai Sam, seu puto!

-Você nunca mais me ligou, seu merda!

-Você mudou o numero de telefone narigudo imbecil!

Abro uma garrafa de cerveja dou um grande gole e ele chega reclamando.

-Vocês só sabem é encher a cara!

-Porra Jermaine, não fode cara! Beber não é pecado. Se fosse, Jesus não teria transformado a água vinho e sim em coca-cola ou suco Del Valle.

-Vai te foder!

-Me passa a porra do Peixe!

-Não chama o peixe de porra! Você come porra?

-Não, mas eu conheço uns bons safados que bebem.

-Pro inferno essa merda!

Continuamos ali bebendo e comendo peixe e rindo e vivendo o fim de nossos dias.

Asas de liberdade momentânea, jockeys do inferno chicoteando cavalos de fogo!

Cliff chora quando vê filmes e quando ele chora é aquela chuva de lagrimas.

Cliff já chorou em hotéis que eram verdadeiras espeluncas, chorou em quartos baratos e sem luz.

Cliff se apaixona em um minuto, se empapuça em 30 segundos e é capaz de te odiar em 5.

Ele não escreve um texto que preste a anos e ficou horas sentado em frente a maquina pra escrever isso aqui que no fundo ele sabe que é uma bela de uma merda mas foi o melhor que conseguiu.

Ele tem medo da zebra do fantástico, medo do Boris casoy, tem restos de cogumelo espalhado pelo estomago e um coração feito com peças velhas de um relógio qualquer.

E ele tem uma perna quebrada na altura do joelho que o impedira de se ajoelhar ante DEUS em seu miraculoso palácio hebraico no alto dos céus e o ouvir dizer ao menos uma vez.

MISERICÓRDIA

MISERICÓRDIA

MISERICÓRDIA

Meu velho safado...

Por você e por tudo que te fiz passar.

Entrei liguei a tv e vi Tyson arrancar a cabeça de Thomas com dinamites de direta.

Fui ao quarto tirei as calças velhas e deixei que a musica tocasse.

Era tudo o que restava a fazer.










quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

12 PREGAS

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Herbie me ligou na manhã de quarta dizendo que no dia seguinte conseguira, após longos 9 meses de aguardo, um exame que custava os olhos da cara, no serviço publico, mas era necessário um acompanhante pra encarar o troço e assim, fui selecionado

Levantei cedo, tomei os remédios matinais (maldito estomago que me fode como um gambá!) acendi um cigarro me troquei e sai pela rua com destino a um dia que poderia ter sido bem melhor.

Entrei no ônibus, desci no terminal e corri pra outra fila. (Preciso comprar logo um carro, minhas histórias tem se passado demais em filas de ônibus e lugares assim)! Então o telefone tocou.

-Aonde você ta Cliff?

-To mais adiantado que imaginava pai. A gente se encontra no metro.

-Certo

Desci do ônibus, subi as escadas rolantes, rolando feito bosta lá pra cima.

Parei na lanchonete e pedi um chapado. Sentei no banco e quando comecei a comer uma senhora sentou-se ao meu lado. Ela não tinha uma orelha. Era apenas um buraco com alguns pelos salientes. Olhei pro pão e pro chocolate. Não tinham mais uma aparência bacana. Talvez por causa da falta de orelha de minha acompanhante ocasional.

Paguei, dei duas dentadas engoli o chocolate e olhei o relógio da estação.

Segui pelo corredor e encontrei Herbie vindo pelo lado de baixo.

- E ai pai? Como ta?

-Numa boa, falaram que é um lance sossegado mas precisa de um acompanhante.

-Claro, vamos?

-Vamos lá pro lado de fora que tem uma linha direta e mais tranqüila.

-O que você disser.

Saímos da estação e fomos pro Sol. Herbie estava realmente com uma cara boa, de bermudas e camisa de gola em V. Herbie era um cara bacana alem de ser meu pai. Bruto durão áspero feito lixa 5 mas um patcha coração.

-E a Maggy? Já era mesmo?

-Dei-lhe um pé no rabo e ela aceitou. Não vou reclamar e dizer que foi só uma longa foda, mas não foi o amor da minha vida e já não dava mais.

-É, é mesmo.

-E você?

-Vou levando.

-Os guris estão um barato.

-Tão mesmo.

Ficamos ali na fila curtindo o Sol e olhando os rabos que passavam.

-Olha lá.

-Hum...

-Forte.

-É...

O ônibus chegou e entramos com todas as outras pessoas em direção ao hospital.

Entramos 10 minutos adiantados em relação ao horário marcado, entregamos os documentos e sentamos.

-Acho que vai ser rápido.

-Sem crise meu velho.

Um senhor de seus 80 anos chegou junto de um cara grande que mais parecia a porra de um índio mohawk.

- Ai? Esse é seu garoto?

-É.

Nos cumprimentamos e sentamos olhando os números no painel.

Um dia em hospitais, numa fila, vale mais do que bancos de faculdade em vários aspectos. Você esta lá, na beira do abismo, mas conta ainda com esperança e a fúria de um tigre velho, a ferocidade da proximidade do fim pra te fazer superar os desafios que estão por vir.

Por fim o nosso numero surgiu no painel e fomos até o local.

Uma morena alta de óculos e um insinuante par de coxas grossas nos atendeu.

-Sr. Herbie, o senhor será o próximo. Devo dizer que o senhor pode ter algumas complicações como desmaios ou queda abrupta de pressão.

-Não me disseram nada disso, mas esta tudo bem.

Logo na seqüência chamaram o amigo de meu pai. O vi ao lado de seu filho junto da morena que mostrava agora uma boa gama de coxas gesticulando loucamente e com um olhar aflito.

Veio pra junto de nós.

-Te disseram que é sem anestesia?

-Não.

-Cara, fiz esse exame uns 14vanos atrás a seco e sinceramente isso é desumano.

-O que é no fim das contas?

-Eles enfiam uma agulha grande pra diabo com uma espécie de micro chave turquesa na ponta pelo lado do teu rabo e vão até no fundo. Lá dentro cortam uns 12 pedaços. É como ser mordido por um cachorro dentro do cu!

-A seco?!

-Se derem anestesia, você leva de boa, mas a seco é praticamente homicídio.

Voltamos pra mesa da morena. Ela mostrava cada vez mais coxas, talvez tentando dar um alento, ou enganar o touro que seria abatido.

-Precisamos falar com o médico.

-Ele não se encontra sr. Herbie.

-Olha garota, eu não farei esse troço a seco de jeito nenhum.

-Talvez não doa tanto.

-O Tyson disse o mesmo ao Riddick.

-Hã?!

-Olha, se alguém entrar naquela sala e ter o rabo cortado internamente por uma turquesa, só 12 pregas, eu entro e nem faço careta, caso contrario eu me mando.

-Nesse caso teremos que remarcar pra uma data muito posterior.

-Nesse caso eu aguardo.

Saímos sob o Sol de dezembro olhando as compras de natal e o aguardo do bom andamento do serviço publico.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS 5

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Blake olhou no espelho e percebeu mais uma vez tudo o que o tempo fizera com ele.

A pele marcada e a testa franzida, os olhos reduzidos à fendas, os cabelos brancos criavam um teto para um teatro queimado, uma bandeira de derrota ululante.

Caminhou pela sala e lembrou-se de quando pisava em carrinhos e bonecos. É... O tempo passara mesmo e agora, parafina, camisetas, livros e alguns cds ainda insistiam em ficar no chão, mas agora era diferente.

Olhou pela janela e os viu sentados à beira mar. Meu Deus! Eram fortes, belos, viris.Tinham um mundo pela frente e mãos duras para agarrá-lo.

Sentiu-se feliz como há tempos não ficava. Uma sensação de soldado honrado no campo de batalha que vencera o inimigo e cumprira sua missão com louvor.

Pegou a mala, os livros o note jogou dentro do carro e foi até a areia caminhando levemente.

-E ai rapaziada!
-Oi meu velho.

-Você vai mesmo pai?

-Estarei aqui ao lado Jamal, e sempre estarei com vocês. Toma! Uma cópia das chaves. A porta estará sempre aberta.

- Vamos ficar aqui com a mamãe um tempo pai, mas sempre estaremos lá.

-É claro Mike.

-Você segurou bem a onda, sempre nos livrou de tudo e todos.Obrigado.

-Escuta Hank, vocês são a luz no fim de tudo cara! Eu devo a vocês. Sem vocês eu não teria conseguido. Mas fico feliz em ver que vocês se tornaram homens incríveis, fortes.

Foram lhes tirada a atenção por 3 jovens que passavam desfilando minúsculos biquínis fio dental.Corpos jovens, bronzeados sorridentes, oferecendo-se aos 3 garotões dourados pelo Sol.

-Vejam isso minhas crias. Peitos, bundas, xotas, todas ai, loucas por vocês, mas tomem cuidados! Elas podem te matar. O Amor é um cão dos diabos!

-Velho depravado!

-Mandem um beijo pra Eleanor quando ela passar por aqui.

-Podemos ficar com o carro?

-O carro é de vocês Mike, eu vou ficar com a coisa.

Se abraçaram e sorriam. Espartanos, não se permitiam chorar embora fosse essa a vontade.

-A gente se vê no vovô Herbie semana que vem.

-Vai fazer o que agora velhão?

-Dar uma banda, acho que mereço.

-Merece sim! Abraço!

Blake ligou o carro velho e cansado saiu pela orla.

Poucos amigos, ninguém à sua espera.Apenas um holandês voador, um fantasma morta a anos.

Apenas um velho em busca de paz e se houvesse um novo amor na estrada ter cuidado pra não tropeçar.

Parou em frente à um puteiro barato e entrou.

Era um bom começo.

Em casa, comida à mesa, a cadeira vazia.

Sem a fala rude, sem gritos.

Betty respirou profundamente aliviada e enfim se permitiu sorrir.

FIM




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O MAOR É UM CÃO DOS DIABOS 4

Photobucket


Blake entrou em casa e viu a porra da pia suja e cheia de potes boiando como um naufrágio.

Devia ser pelo menos a milésima vez que ele via aquela cena diante de seus olhos e ainda assim lhe causava náuseas, ainda mais agora que o estomago de Blake após anos de pedreira, cachaça e outras porcarias começava a reclamar.

Foi à janela acendeu um cigarro, voltou começou a lavar a louça e ouviu Betty no quarto.

Era simplesmente inacreditável ver como os dois viviam.

Detestavam-se era bem verdade, mas tinham os garotos e havia Eleanor numa fase critica de inicio de adolescência.

Blake era um sujeito abjeto e estranho, mas assim mesmo e acima de tudo era um cara responsável pacas.

Prometeu pra si mesmo NUNCA deixar os guris sem a sua referencia, sem a sua presença.

Ouviu dentro de sua mente a voz de Herbie e Geena

“ERA PRA TER ACABADO HÁ TEMPOS, MAS SEGUREI A BARRA ATÉ VOCÊS CRESCEREM” ·...

Seria uma sina? Estaria ele condenado a viver dessa forma até o fim de seus dias?
Não soube responder, apenas foi a o quarto e viu os guris dormindo e sentiu-se calmo.
Eles eram como uma dopamina pra ele, um pedaço tangível de paraíso.

Levantou os guris uma a um enquanto ela se trocava também e ai, depois, enquanto estavam só os dois é que as coisas se tornavam ainda mais difíceis e insanas.

Ele se via no espelho e sabia que estava acabado e ela fazia questão de lembrá-lo disso sempre que possível e ela também já não era mais nada e ele a lembrava constantemente.

Tinham seus bons momentos e as fodas e até algumas alegrias juntos, mas sabiam intimamente que era como olhar uma vela se apagando.

Ela gritava e não era fácil segurar a barra.

Ele se calava e era difícil restistir.

Deixou o dia correr e se mandou pros treinos,

Ela se fechou em seu canto com seus hobbys e fingiu sorrir.












sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS ³




Blake enfiou o pau no rabo com força e ela tentou escapar. Ele segurou suas pernas com uma chave de jiu. Tocava um Marvin Gaye bem baixinho de fundo no quarto.

Betty sentiu uma certa dor, era com se fosse rasgada, mas assim mesmo era bom.

-Uh...

-Shii..

Blake tampou-lhe a boca com um beijo e seguiu com calma e o troço foi entrando firme como um braço de bomba de óleo flu flub flub.

Foi em frente até que gozaram.

Pelo menos ele gozou.

Ele saiu de dentro e rolou pro lado
-Meu Deus! Meu Deus!
Blake não sabia exatamente o por quê, nem o que é que DEUS tinha a ver com isso, mas sempre dizia “Meu Deus” Quando gozava.

-Shi...Quer acordar os bebês?

-Uff.
Agora era a vez de Betty tapar-lhe a boca.

Ela se levantou foi ao banheiro se limpar e Blake limpou-se no lençol.

Levantou, passou a vista pelo quarto das crianças e depois foi pra cozinha fumar.

Olhou a pia com louça pra lavar, mas não se importou naquele momento.

Depois de uma boa foda as coisas costumam ficar calmas.Voltou pra cama e dormiu de conchas com Betty.

Acordou cedo no outro dia, abriu uma garrafa de vinho pela metade serviu-se de um gole.

Levantou os guris e ficou brincando com eles.

Era feliz demais com aquilo. Era uma hora onde esqueci das contas a pagar e das demais mazelas diárias que nos entopem de merda até os olhos.

Betty cozinhava couve ao molho Branco. Receita de Geena que sempre tratou bem de Blake.

Depois Blake amarrou o sapato dobrado na cama, se levantou chacoalhou os trocados no bolso, as chaves, o cigarro, deu um beijo em cada um dos guris, um em Betty e se mandou pro trabalho.

No caminho, olhava os rabos que passavam na rua e trocava olhares rápidos com os que correspondiam.

Sempre fora um tarado depravado, herança de Herbie talvez, talvez não.

Depois foi a manhã nascendo e ele voltando pra casa e chegando e vendo Betty comendo bombons e lendo revista contigo.

Quando o dia nasce assim e você ainda não deu uma foda, é por que de alguma forma te foderam.

Nessas horas, se olha e se pensa em juízo claro, mas deixa tudo pra lá, esperando que o dia seguinte amanheça com uma cara melhor.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS ²




(PARTE II)

Herbie entrou em casa acompanhado de uma morena baixinha, cabelo franja anos 80 e um belo rabo. Sentaram-se à mesa e tomavam um bom café quando Blake entrou.

-Oi pai! Bom dia...?

-Susan. Então, esse é o Blake?

-É sim.

-Prazer.

-Meu também.

Blake foi pro quarto, ligou a tv e ouviu os risos vindos da sala.

Herbie era um cara legal e merecia uma segunda chance de ter um bom relacionamento.Torcia pra que Geena também encontrasse alguém legal.

Saiu pra rua e a noite estava fria.Sentado na praça viu um casal que não conhecia, mas que tinha mais ou menos sua idade com um gurizinho.

Blake sempre foi louco pro crianças, sempre sonhou com um “blakezinho” andando por ai.

Resolveu dar um passeio qualquer.

Foi até Sta Filomena, pra uma conhecida casa de 20 mangos.

Entrou, olhou algumas garotas já conhecidas, bebeu uma cerveja, mas não quis foder.

Saiu, entrou no carro, acendeu um cigarro, e chegou a uma casa de 200 mangos, mas também não se sentiu atraído à entrar.

Foi pra um velho bar na cidade ao lado e começou a assistir lutas velhas de boxe.

No final de uma delas, uma entrevista com a filha de Ali.

É...

Foi pra casa e ao entrar Herbie havia deixado um bilhete colado na geladeira dizendo que não dormiria em casa.

Deitou-se, tentou dormir, mas foi em vão.

Sentia-se apertado na cama, como se tivesse 3 metros de altura de uma hora pra outra.

No outro dia, ao chegar no trabalho ligou pra Geena.

-Oi mãe! Como vão as coisas?

-Bem, numa boa mesmo.

-Acho que vou dar uma passada ai amanhã.

-Hum...Não vai dar. Vou sair.

-Tudo bem.

-Quero que você venha conhecer o Norman qualquer hora dessas.

-Então meu novo papai chama Norman! Legal! Só espero que o sobrenome não seja Bates.

-Hehehe...Bobo! Não é não. E você filho?Nunca mais viu a Becky? Ou a Millie?

-Millie mudou-se pro interior e a Becky não da mais.

-Hum...

-Bom, no próximo domingo vou ai ver o Bates.

-Não avacalha! Beijo Filhote!

-Beijo mãe.

Blake passou o resto do dia matando tempo no trampo até a hora de sair.

Saiu, passou em casa, tomou um rápido banho e se mandou.

Vagou pela madrugada vadia até acabar a noite com uma puta qualquer de 20 mangos num motel boqueta do centro.

Acordou com uma ressaca braba e ao ir à padaria comprar uma Tonica encontrou Betty.

Betty era magra, baixinha e tinha um rabo empinado e alegre.

Conheceu Betty melhor quando estava fodido com a perna podre e ficavam papeando um pouco enquanto ela cuidava de sua filhinha Eleanor.

Betty, sempre estav com sua cria e isso era bom. Maternidade, algo que supera barreiras e quebra algemas.

-Oi Blake.

-Oi Betty.

-Nossa sua cara ta horrível!

-É assim desde 78, nunca consegui arrumar.

-Tonto!

-É...Noitada e álcool...Acaba com qualquer um.

-Talvez já seja hora de sossegar o facho.

-Pode ser.Até mais.

-Até.

Blake pegou a Tonica, cigarros, aspirinas, chicletes e foi pra casa sentindo o rabo murcho e mole.

Estava ficando velho pra gandaia.

Entrou em casa e se olhou no espelho.

Detestava moedas, freiras, mickey mouse, musica country.

Detestava comida enlatada, festas de natal, musicas de natal, natal.

Cutucava o nariz com o dedão o tempo todo, bebia vinho em garrafão, tinha hemorróidas e frieiras.

Não tinha Deus, não tinha planos, era apenas uma pedra jogada no rio.

Era um cara estranho, bruto e opaco tal qual madeira.

Sua cama parecia menor que na noite anterior.

Herbie entrou com Susan e sorriu pra ele no quarto.

Depois, Mandy, sua irmã, chegou em casa com Billie e os quatro saíram pra uma pizza.

Blake foi pra Watermellow bar e encheu o caneco.





terça-feira, 22 de novembro de 2011

O AMOR É UM CÃO DOS DIABOS¹




(PARTE I)

Blake acendeu um baseado e sentou-se sozinho no alto daquele morro naquela manhã cinzenta de outono. Deu um trago, segurou a fumaça no peito e depois soltou junto de um pigarrear.

As coisas estavam estranhas em casa.Parecia que a casaca do ovo se romperia a qualquer momento e as pessoas já não mais se suportariam. Blake já era um cavalo velho o suficiente pra entender o que tava rolando e assimilar o golpe como um bom pugilista, mas assim mesmo, era meio doloroso.

Desceu do morro e foi pra rua. Encontrou alguns camaradas e depois foi pra casa. Tomou banho e foi trabalhar, ao chegar Geena veio falar com ele.

-Blake! Vem cá filho.

-Oi mãe? Que foi?

Blake adorava sua mãe. Sempre foram mais amigos que mãe e filho e sempre se conversaram abertamente.

-To indo embora guri.

-Diabos mulher! Não precisa ser assim!

-Não da mais pra mim.

-Bom...Eu nunca ficaria contra uma vontade tua. Mas não acho que seja o melhor a fazer.

-Eu sei que não, mas é assim que será.

-Ta certo então. Te levo até east side.

-Tudo bem.

Foram ouvindo Minnie Riperton e outras coisas velhas da motown pelo caminho.

-Sabe...Se não fosse por essa motown acho que você não estaria aqui hoje.

-Também acho.

-Não era assim que eu planejei filhote.Espero que você entenda.

-Claro mãe...Claro.

-Já era pra ter acabado há muito tempo, mas eu segurei a barra até vocês crescerem sabe...

-Sei.

-todo começo é bom, mas amarga do meio pro fim.

Chegaram à east side e Blake desceu as malas dela em frente à porta.

Abraçaram-se fortemente e Blake não teve nenhuma vergonha em chorar.

Despediram-se e Blake acelerou rumo ao centro.

Entrou num puteiro mequetrefe e fodeu.

Gozou amargo e grandioso e depois foi pra casa.

Entrou na sala e viu Herbie olhando a janela.

-Oi garoto.

-Oi pai.

-Ela foi embora né? Bem...Diabos...é assim e assim.

-É.

-Sabe garoto, já era pra ter rolado há tempos, mas eu segurei a barra até vocês crescerem.

-Entendo.

Blake gostava muito de Herbie.

Era um homem duro e amargo porem, justo e companheiro.

Tinham muitas brigas isso era bem verdade, mas era um grande cara e acima de tudo um grande pai.

Herbie pegou o cachorro e foi pra rua.

Blake foi à janela, acendeu um cigarro e prometeu-se em silencio nunca passar por isso.

Sempre haveriam os puteiros mequetrefes, os bons, o poker e outras coisas que o livrariam.

Com ele seria diferente...



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Matando tempo.






Entrei no salão, e sentei lá no fundo. Depus minha bolsa sobre a cadeira e depois me levantei indo até a bancada.

As coisas haviam mudado um bocado naquele lugar.

Muitos rostos novos. Gente e mais gente enfim, um show de horror.

Catei meu pão e me mandei lá pro fundo e sentei quieto e contrito.

Não havia nada que pudesse ser feito pra que aquilo melhorasse.

Ouvi passos atrás de mim.

Era Doug Paterson.

Doug era um cara comum, com um rosto comum num lugar incomum como aquele.

Muita gente não gostava de Doug. Eu não tunha nada nem contra nem a favor.

Sinceramente eu não o conhecia o suficiente pra ter uma opinião formada.

-Ei Cliff. Li seu blog. Cara, nunca imaginei que você escrevesse.

-É.

-Realmente é bom. Eu costumo ler bastante e ali tem coisa de qualidade.

-Obrigado cara.

-Não sei como você não foi consagrado.

-Consagrado eu fui como alcoólatra e viciado em corrida de cavalo.

-To falando sério.

-Eu também.

-Vou nessa cara.

-Falou.

Doug levantou-se e foi embora e continuei ali sentado mascando aquela massa insosa e olhando as pessoas.

Realmente eu não fazia parte daquele universo e talvez de nenhum outro.

Olhava as pessoas, os rostos e nada me dizia nada.

Levantei peguei minhas tralhas e me mandei.

Só pra matar tempo e encher lingüiça no papel.

Que você pode ler se quiser.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Contra todos os prognósticos



Realmente não sei onde errei ou, talvez eu saiba e seja mais confortável dizer que não. Ponderar o imponderável seguir com o palpite louco contra todos os prognósticos, ignorando de uma forma irascível e solene todo o conhecimento angariado por anos de cabeçadas hípicas e outras etílicas e mais algumas banais.

O resultado só poderia ser este. Viola em caco e banca quebrada na aposta placê.

O doloroso não é a volta na chuva com os pés molhados em poças.

O Doloroso é saber dos terceiros envolvidos

Isso Dói pra caralho...

Mas de qualquer forma, resta voltar e tentar encontrar alguma coisa que faça seguir em frente.

Às vezes isso conforta e às vezes, isso se torna uma busca tão frenética e insana que, sinceramente, da vontade de parar e mandar tudo à merda.

MAS HÁ OUTROS QUE PRECISAM DE VOCÊ.

Então, você vai e entra naquele velho salão escuro, conhecido de seus olhos e busca por alguma novidade, mas elas não estão lá.

Apenas o velho ranço, as coisas espalhadas de forma desconexa e aparentemente, deixadas ao léu de forma proposital, apenas pra te deixar ainda mais emputecido.

Então, as mãos percorrem o conteúdo dos bolsos puídos, por anos de sujeira, fuligem e sabe lá deus o que mais e encontra o velho bilhete.

Uma aposta feita contra todos os prognósticos.

Uma aposta no azarão tentando, em vão lançar-se ao céu em um só salto.

Uma aposta que só poderia dar em merda.

Agora, é banheiro, cigarro e uma música pra ouvir.

Olhar as pernas e saber que ainda resta força pra levantar, sacudir a poeira e seguir em frente.

Contra todos os prognósticos e vencer.

Só por saber que você ainda tem algo que vale a pena pra mostrar.





terça-feira, 27 de setembro de 2011

30 Centímetros.






Acordei, levantei da cama, acendi um cigarro e depois sai pra rua. Era um dia claro e ameno de outono. Fernando Henrique Cardoso era o presidente do Brasil na época.

Abri minha caixa de correio e havia muita porcaria que joguei fora sem ao menos me importar. Contas, artigos de oficina e outras coisas, que devido ao meu estado físico prejudicado em razão de uma cirurgia de joelho não me eram interessantes no momento, mas uma me chamou a atenção.

Era de uma leitora de meus contos. Chamava-se Vera e era mesmo uma boa cara.

Trocamos correspondências e telefonemas. Sua voz era grossa e um pouco rouca, mas tinha uma timidez sexy e atraente. Era corpulenta, mas não chegava a gorda. Uma campeã dos meio pesados. Seios grandes e redondos e um cabelo negro como a noite.

Por fim, acabou acontecendo de uma forma qualquer.

Marcamos um encontro.

É claro que seria uma coisa normal e tal, mas algo não me cheirava bem e tempos depois eu iria descobrir.

Nos encontramos num bar meia classe em west zone.

Ela chegou linda e por mais incrível que possa parecer estava interessada em mim em essência.

Talvez um prazer pelos bêbados e derrotados, quem sabe.

Eu dirigia um velho italiano vermelho que vira e mexe me pregava peças e ela chegou a bordo de um francês zero quilômetro.

Conversamos e era um papo agradável.

Disse-me ter acabado de sair da faculdade e cursara artes cênicas em uma faculdade cujo valor da mensalidade poderia pagar todo o meu ano.

Senti como se perdesse ali, uns 20 cm de altura.

Olhei pro meu carro e o dela e mais 10 cm me deixaram...

Minhas roupas puídas e gastas, contrastavam com as dela, importadas de algum quinto dos infernos indianos de Bali.

Trocamos um beijo e depois outro e comecei a beber um scotch enquanto ela tomava um suco de grapefruit.

Na hora de se despedir entrei em meu carro e ela no dela.

Rumei pra east side sentido o banco do carro estranho. Parei num semáforo e coloquei-o mais à frente.

Dias depois ela me ligou e que fosse até sua casa.

Quando ela me deu o endereço senti que mais ou menos uns 50 cm de altura me deixavam, mas assim mesmo me sentei na velha jabiraca e me mandei pra lá.

Ajeitei o banco mais à frente novamente. Estava realmente diminuindo.

Quando cheguei era um GRANDE condomínio de luxo. Fui barrado na entrada por um segurança brutamontes e com cara de estúpido, mas com um corte de cabelo da moda.

Falei meu nome e aguardei

Aguardei...

Aguardei...

Até que ela apareceu.

Pediu que eu entrasse, mas quando olhei a grande alameda com cactos importados lá do cu das florestas peruanas, senti que estava ainda menor e não pude.

-Vera.

-Sim Cliff.

-Olha, eu te acho uma mulher fantástica, mas acho melhor pararmos isso por aqui.

-Por que?

-Você pertence a um mundo que eu não conheço e não tenho ticket pra entrar.Esse lance pobretão na alta roda só da certo em Hollywood.

-Isso não tem nada a ver.

-Tem sim. Adoraria ficar com você, realmente, mas não dá.

-A gente ainda se fala?

-Sim.

Olhei pra trás e vi o grande portão se fechar e seu vulto sumir.

Tentei entrar no carro, mas não consegui.

Estava medindo cerca de 30 cm de altura.

Corri pela alameda vendo tudo extremamente enorme, como era na verdade.

Imaginei o futuro. Eu sentado em uma larga mesa de jantar e enquanto Vera e família mostravam os diplomas eu não tinha nada além de uma rola preta, dividas, grilos e uma cuca fundida.

Vi um bar e entrei.

Ninguém me notava.

Esbarrei numa garrafa de cerveja que quase me matou ao cair sobre mim.

O liquido me banhou e ganhei uns 20 cm.

Dei um gole, lambendo o balcão como um cachorro faminto e consegui um pouco mais de tamanho.

Vários goles após, eu já era dono de meu um metro e oitenta novamente.

Entrei no carro e dirigi até uma velha avenida já cantada na década de 60.

De volta pra minha altura normal, meu mundo normal, minha vida normal.

Jogado no meio do lixo e de pessoas anormais.



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Observações sobre canções que cortam em momentos despretensiosos

(Ou só um dia pra chorar)


Já tinha uma boa pancada de dias que Blake evitava a maquina de escrever como se ela fosse feita de algum tipo de câncer, algo visceral e maquiavélico como uma chaga infernal.

Estranho. Blake sempre gostou de escrever. Na verdade, era uma das únicas coisas que ele conseguia fazer com alguma decência na porra da vida, mas naqueles últimos dias ele fugira dela.

Falta de inspiração, uma grande maratona de cinema e cansaço e seu respeito pela máquina era tão grande que ele não gostaria de sentar-se junto a ela de cabeça vazia.

Acabou acontecendo assim, numa manhã qualquer de agosto. Ele se olhou no espelho e percebeu o quanto estava velho. Não que isso fosse uma surpresa pra ele, mas naquele momento tudo lhe pareceu ainda mais claro que de costume.

O copo com scoth deposto sobre a mesa, e o barulho vindo do quarto...Foram como uma bala no peito.

Que porra havia ele se tornado?

Será que o velho caubói só esperava pela ultima bala pra ser mandado pro inferno e descansar sua torturada alma em paz?

Será que era isso mesmo o que tinha guardado pra si?

Não soube responder uma velha pergunta que já se havia feito inúmeras vezes antes.

Algumas pessoas subiam e sumiam de sua vista e agora, quando o olhavam, era como se vissem um exótico animal.

Ele nem dava mais a mínima. Nem valia a pena.

A brasa do cigarro queimou-lhe o dedo e ele acordou.

Pelo menos ainda era capaz de sentir dor, o que era algo bom.

Foi ao quarto e olhou. Ouviu o som do despertador que pra ela não era nada.

Voltou à sala e ligou o radio.

A musica começou a tocar e não restou nada a fazer alem de chorar.

Por ele mesmo e por tudo que foi.

I hurt myself today

To see if I still feel

I focus on the pain

The only thing that's real

The needle tears a hole

The old familiar sting

Try to kill it all away

But I remember everything

(Chorus)

What have I become?

My sweetest friend

Everyone I know goes away

In the end

And you could have it all

My empire of dirt

I will let you down

I will make you hurt..

I wear this crown of thorns

Upon my liar's chair

Full of broken thoughts

I cannot repair

Beneath the stains of time

The feelings disappear

You are someone else

I am still right here

(Chorus)

What have I become?

My sweetest friend

Everyone I know goes away

In the end

And you could have it all

My empire of dirt

I will let you down

I will make you hurt

If I could start again

A million miles away

I would keep myself

I would find a way